Oximoro
Essa é minha segunda crise da semana. A causa das duas já é manjada, até — você.
Nunca achei que fosse chegar em um ponto que minha da minha vida que eu realmente iria sofrer desse jeito por alguém. Chega a ser engraçado meu comportamento, por mais incrível que isso possa parecer. Digo tanto pra todo mundo que estou super bem, que você já é passado.
Mas cá estou eu, escrevendo outro texto sobre esse passado tão recente.
E mais engraçado que essa minha atitude louca, é o uso dessas duas palavras: passado e recente.
A dor que sua traição trouxe foi passado, mas ela é recente; e só é recente porque ainda não foi passada. Entendeu? Eu também não.
Juro que tentei, inclusive. Alguém que me fez perder tantas horas de sono chorando não merecia meu sofrimento e/ou meu amor doentio. De alguma forma, você ainda tem os dois, um em cada mão; e ao meu ver, isso não te afeta de maneira nenhuma (essa última afirmação ainda está em fase de confirmação, a.k.a. ainda não tivemos uma finalização decente o suficiente para tudo o que aconteceu).
Meu amor doentio por você e essa minha obsessão emocional pela sua imagem são duas coisas que me trazem mal. Mas assim como a própria expressão “amor doentio”, esse amor que sinto é oximoro.
Não faz sentido. Amor não tem que trazer dor.
Pelo menos eu achava que não.
Ainda não sei se tudo que aconteceu entre nós valeu a pena de alguma coisa. Pelo menos não pra mim. Você saiu com experiências — o que não fazer num relacionamento, por exemplo.
O que me restou? Uma paixonite não correspondida, olhares trocados nos corredores seguidos de silêncio e um misto de humilhação e arrependimento que sua traição me deu.
Você saiu de tudo isso com duas marcas no pescoço.
Eu saí de tudo isso sem a pessoa que eu amava.
