Redefinir Senha
Por Deborah Cardoso

Ela apareceu dizendo ser a liberdade, a única forma de exercer o pensamento livre em meio às opiniões controladas que nos eram dispostas. Ela veio como a única forma de não elitizar o saber, dando a ele asas para ser o que realmente devia.
O mundo a utilizou como boca, como olhos, como ouvidos, era a extensão dos sentidos. Ouvi notícias suas no mundo árabe, na Ásia, na Europa e até nas Américas.
Homens engravatados a viram como arma, pessoas com pensamentos retrógrados a viram como voz e usaram seu poder para coibir os demais. Das cavernas, seres de pensamentos antigos e cruéis renasciam como entidades invertidas cheias da fúria dos milênios em que foram trancadas.
O paradoxo moderno sobre liberdade de expressão nascia, afinal o que é crime e o que é direito de falar? Ofensa ou frescura? Qual o limite do humor? A tão sonhada democratização da mídia não seria um pouco disso?
A internet foi usada como instrumento de protestos, sem filtrar quais devem ser realmente liberados, episódios como os Charlottesville foram possíveis, apenas com um share. As ruas foram palco para o amor e para o ódio a outros grupos. É uma dança da intolerância.
Qual o gosto da liberdade, quando se é para todos que são diferentes de você? Alguns odeiam negros, outros judeus, outros muçulmanos, outros batem em mulheres, outros matam gays e outros odeiam outros homens.
Já outros amam ter a liberdade de dizer que a própria liberdade tem que acabar, sendo ainda mais paradoxal…
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