A dor de ser

O que eu diria se enxergasse a vida?

O que eu vejo não passa de…

Vazio.

Estou nas nuvens,

No inferno.

Não estou.

Ser um ser que não é.

Sou o nada.

Sou o tudo.

Encontrei minha felicidade na tristeza.

Na dor.

Dói.

Escrevo-lhes, mesmo enquanto sou dominado pelos calafrios.

O suor escorre pela mão gelada.

A boca expressa reação alguma.

O sorriso se esconde,

As lágrimas também.

Sou o que sou.

Estou sendo.

Serei.

Não posso seguir sendo que não sou,

Mesmo que para isso acontecer

Seja necessário eu ser

Nada.

E a vida vai seguir,

Dias frios,

Dias acalorados por um sorriso qualquer.

O final será mudado a cada segundo.

E quando a primeira lágrima derramar,

Eu descobrirei a mim.

Quando a primeira dor for sentida,

Serei um eu.

Sou.

Dói.

Meus olhos são uma cachoeira.

Meu peito reage como se estivesse sendo alvejado.

Meu pelos se arrepiam.

Estou me descobrindo.

Isso dói demais,

Não sei se vou aguentar.

Ser eu é uma eterna dor,

Que dura não mais que segundos.

Mas que acaba com vidas e ciclos.

E o tango que escuto ao fundo,

Nem mais sei se é o que escuto.

Não ouço nada além do teclar.

Meus dedos estão cansados,

Assim como eu.

Consumido pelo fato de não ser,

Amedrontado sob a luz da realidade,

Da busca.

Eu não quis que fosse assim,

Que doesse assim.

Talvez eu não fosse assim,

Se tudo fosse diferente.

Eu estou viajando em minhas palavras,

Minha visão enturvecida,

Sinto como se fosse desmaiar.

Sinto como se tivesse me livrado de um monstro,

E meus braços formigam o cansaço da luta.

Eu preciso descansar.

Ser renovado.

Eu quero gritar,

Não tenho forças.

Eu sou um paradoxo.

Eu sou a resposta de todas as perguntas,

Eu sou o concreto no inexistente.

A cura.

Nunca encontrarei.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.