A melancolia da inatividade

Consumido pela dúvida de ir, de vir, de ficar. Sentado em meio ao caos disfarçado, pensando se fazê-lo seria a movimentação ideal. No ar pairam os sentimentos que retraem o ser, os julgamentos que entortam uma existência.

Nem mesmo eu sei o que quero. Tudo parece ser mais do mesmo, tudo. Das distrações que tenho, nenhuma me distrai. Se tornaram incômodos acomodados em meu dia a dia. As criações não parecem criativas.

Minhas paredes acinzentam-se perante à escuridão de uma vida monótona. Esse caminho que sigo parece vazio, estranho. A amargura de tudo que faço me deixa preso num vácuo, onde nada é tudo. E isso não me satisfaz. Viver os nadas da vida não me soa tão bom como era ontem. Ou tão perfeito como era anteontem.

Essa fase de mudanças provavelmente me deixará estacionado exatamente onde estou. Inativo e bloqueado por mim. Numa mente cheia de pensamentos e vazia de ações. Olhar minhas próprias mãos e pensar “qual o propósito disso?” se tornou um costume rotineiro.

Nem escrever parece ter tanta graça assim.

Pode ser que o necessário seja um momento só, mas este não virá. E não irei até ele. Sou um poço de ações não realizadas.

Desenho sem cor, sem continuação. Uma vida sem lembranças, uma história repetida. Diariamente.

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