Descubro suas paredes
Pulei o muro da discórdia.
Acorrentado,
braços esmagados.
Cambaleava para meu fim,
cansado daquele frio,
nem meu sangue suportava.
Tua luz me brilhou
o rosto.
Enxerguei através do espelho.
No meu lado mais puro,
longe da pele,
contaminação.
Sou alma que transcende
o nosso tempo.
De trem em trem.
Te busco
em tua casa.
Durma na minha.
Dá-me o prazer.
Uma noite feliz.
Sou ser só.
Lágrimas
nem mais despejo.
Secou, minha alma.
Me perco no querer.
Surjo na sua memória,
daquele dia sujo.
Fomos.
Por uma noite.
Donos da nossa sujeira.
Segredos.
Desapegos.
Quero a tua liberdade.
Preso
num labirinto.
Não posso escapar com vida.
Quero conhecer cada parede,
curva.
Te tornarei nada além de corredores conhecidos.
E mate-me
quando eu te aprender.
Não haverá mais vida, nem sensação.
Noite fria,
as estrelas uivam.
Acho melhor dormir.
