Donnie Darko

Quando chamo-me de normal, tento fugir ao incomum, para assim munir os outros de bons pensamentos. Estes, porém, vão existir em pequena parcela, pois a mente do ser humano é suja e por seguir sua vida buscando a perfeição, acaba por diminuir outro ser, assim fazendo-se superior. Mesmo que em sua própria mente.
Nunca vi nada mais sincero que o ódio no olhar de Donnie Darko. Sua expressão, enquanto Frank tomava conta de suas ações, é memorável. Quiçá incomparável. Uma psicopatia desentendida, que fazia questão de acabar com as falsas verdades presentes em sua vida – direta ou indiretamente.
A coragem que nos falta, sobrava em Donnie. Sua originalidade, mesmo que obscura, foi capaz de torná-lo um ser asqueroso, porém admirado. Aqueles que pregavam a falsa simplicidade da vida o odiavam. Quebrados por viver uma mentira, por sorrir enquanto suas mentes eram cheias apenas de tristeza. Darko tirava o que de mais sujo havia das pessoas e expunha de uma maneira que as deixava enraivecidas. Loucas.
Nunca se enquadraria no perfil de mocinho. Ser um esquizofrênico não iria permitir isso. Donnie foi além da vida, quando descobriu o amor. Quando descobriu Gretchen Ross. Nada é mais bonito e romântico que o primeiro beijo daquele casal, que separados eram o mais puro e devastador caos. Sua vida tinha algum sentido, se Gretchen estivesse ali. Seu olhar dizia tudo.
O rapaz visto como um louco carregava coragem em si, ou apenas falta de medo. Seu único medo aparente era morrer sozinho, e Frank usou isso para se instalar com maior facilidade.
Darko transcendeu a vida, após ver seu amor morrer. Voltou no tempo, deu seu próprio sangue, apagou o passado da memória de sua amada, tudo para que ela voltasse a viver.
A mais pura raiva se tornou o amor mais lindo que já vi. Um ato que nos deixa sem saber como agir, pensar. Nos limpa de qualquer julgamento. Darko foi quem atirou no olho de Frank e o matou. Donnie foi quem deu a vida de volta para Gretchen Ross e se matou, para que o futuro seguisse outro caminho.
