Encontros tímidos

O fim do meu dia se aproxima, a noite começa. Vagarosamente vou recolhendo cada peça que irei vestir. Antes de tudo, um bom banho, não apenas para esfriar a cabeça.

Os cabelos curtos e molhados, na hora, eram meu maior problema. Sua rebeldia, que me causava certa raiva, acabava por me impressionar. Eram, de fato, cabelos meus.

Vestido e, como dizem, pronto, continuei minha missão. Agora, faltava solicitar o automóvel que me levaria ao local onde eu experimentaria as últimas horas de meu dia.

Chego ao local desejado. Bastantes pessoas planejavam terminar suas noites lá, também. Confesso que não fiquei chocado, apesar de manter-me boquiaberto com a dificuldade para transitar naquele verdadeiro mar de gentes. Grupos separados se uniam e compunham uma verdadeira sociedade alternativa. Talvez apenas uma representação, excluindo certas tribos, das nossas vidas: estamos cercados por diferentes pessoas, que, separadas pelas diferenças, se unem, no fim de tudo, como um grande grupo de ninguém – humanos.

Decidido a andar. Ok, provavelmente eu fui obrigado, entretanto não vem ao caso. Passava meu olho por aquelas faces desconhecidas, até que, num instante, eu noto alguém.

“Esse cara não me é estranho…”, penso com meus botões – na verdade eu nem tinha botões. Sim, uma face estranha se tornou um conhecido. Um conhecido desconhecido. Eu sabia que já tinha o visto, imaginava quem era, mas a certeza passava longe de mim.

Nesses poucos segundos, vários cenários foram se criando em minha mente. Os piores, pela timidez, prevaleceram. Seria, no mínimo, interessante conversar com uma pessoa que faz arte e estimula a arte de outrem.

Três oportunidades, em dias diferentes, foram as que tive para que pudesse pará-lo e falar: “cara, eu gosto do seu trabalho.”

Três oportunidades.

“Você viu ele passando?”

“Vai lá falar com ele.”

“Eu? Ah, deixa pra lá.”

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