Ilha de visitantes

Theo Mariano
Aug 26, 2017 · 1 min read

Jogou tua âncora.

Coração atingido, pesado.

Parou teu trajeto ali.

Sou ilha de descanso.

Sou cochilo da tarde.

Uma pausa na viagem.

Minha felicidade tornou-se

dependente de visitantes.

Nem sei o que sou.

Os opostos se atraem,

talvez por isso não sou atraído

por mim.

Traído,

desmotivado.

Criador de ilusões.

Sou o beijo entre o mar e o sol.

A chuva que traz o mais belo arco-íris.

Sua droga.

Abuse de mim,

pois não sei como fazê-lo.

Me descobrira, se delicie.

Eu não sei ser meu,

por isso me dou-lhe.

Sou roupa velha que não mais vai ao varal.

Cultivo meu pensamento,

ele me amarra

como se fosse corrente.

Preso em angústia,

desaprendo a vida.

Sequer aprendi.

Minha boca é tua,

meu corpo é teu.

Veja seu reflexo no brilho do meu olhar.

Segure a minha mão,

use toda sua força.

Preciso sentir.

Não estou morto,

tampouco quero estar.

Não enquanto estiver aqui.

Mistura-me,

bagunça-me todo.

Dança comigo e para mim.

Não quero ser matéria.

Sinta meu espírito,

nossas almas se encontrando no paraíso.

Jovem de imaginação fértil,

coração frágil.

Sou vidro quebrado.

Tenha paciência,

estou descobrindo

meus pedaços faltosos.

Irresponsável

pedir que viva-me.

Não me importo.

O amanhã que se dane,

enquanto estivermos juntos

hoje.

Quero me refugiar

no teu carinho.

Te mostrar o meu.

Não sei o que quer de mim.

Quando me pergunto se quero saber,

a garganta trava.

Engasgo outra vez,

meus olhos, marejados, buscam ajuda.

Respiro fundo.

O amanhã chegou,

você se foi.

Engatinharei à vida.

)

Theo Mariano

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Apreciem o som do silêncio.

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