Kawhi Leonard, Popovich, Pachulia e Warriors 2 a 0

Compreendendo um pouco da série final da conferência Oeste

Primeiro jogo da série final da Conferência Oeste: San Antonio Spurs e Golden State Warriors protagonizam o show. A equipe do Texas encara o primeiro embate como visitante, liderados por Kawhi Leonard, a superestrela da equipe. Já a equipe da Califórnia vem com um pequeno desfalque no seu quinteto principal: Andre Iguodala estava sob restrição de minutos e pouco contribuiu.

Conforme seguia a partida, o visitante Spurs dominava sem medo algum. Acuados, o Warriors pouco se parecia com a máquina de jogar basquete que atuou nas últimas três semanas. Mantendo a vantagem de 20 pontos, parecia tudo perfeito para que a cena virasse totalmente a favor do time de San Antonio. Na metade do terceiro quarto, num lance irresponsável de Zaza Pachulia, Kawhi Leonard aterrisa sobre o pé do pivô da Geórgia e torce o tornozelo esquerdo, que já estava comprometido por torções recentes. O momento muda totalmente, Warriors vira – comandado por Stephen Curry e Kevin Durant, que combinaram para 74 pontos – e vence a partida por dois pontos, abrindo vantagem de 1 a 0 na série de sete jogos.

Após a derrota, Kawhi Leonard não passa tanta preocupação. No entanto, um dia após (15), ele é avaliado e o Spurs chega à conclusão de que seu principal jogador teria que ficar sentado no próximo jogo devido ao tornozelo.

“Zaza fez um movimento totalmente inatural, que a liga já vem encobrindo há anos.” – Gregg Popovich

Popovich, técnico do San Antonio Spurs, não poupou palavras para falar da ação do pivô do Warriors. Inclusive relembrou lances antigos, envolvendo os dois mesmos jogadores, porém, neste, Pachulia segurou o braço de Leonard e tentou jogá-lo ao chão. Esbravejadas foram as palavras, Pop estava, escancaradamente, estressado. Um ponto foi interessante: ele disse que a liga permite isso há anos.

Longe de justificar qualquer ato irresponsável aqui, mas o San Antonio Spurs, sob comando do mesmo técnico, já teve Bruce Bowen como uma peça importante para o time. Bowen, se pararmos alguns minutos para conferir alguns lances no YouTube, era um jogador extremamente desleal e que usava e abusava de artimanhas – inclusive colocar o pé no espaço de aterrisagem após arremesso – para contundir seus colegas de profissão. Gregg Popovich, à época, saiu em defesa do seu atleta, buscando maneiras de justificar seus atos.

Contextualizados sobre nosso breve conto maniqueísta com um quê de hipocrisia dos “bonzinhos”, vamos ao jogo 2 da série.

Spurs sem Kawhi Leonard, Warriors sem Andre Iguodala. Indubitavelmente, Leonard foi quem fez mais falta.

Ao som de California Love, do rapper Tupac, os titulares da equipe californiana são apresentados. Stephen Curry, como de praxe, foi o último nome anunciado. Se pensarmos no jogo, agora, o nome do armador será o primeiro a vir à cabeça.

Do início ao fim, o Golden State Warriors se manteve à frente no placar. Sem exceções. Era um dia especial, tudo parecia cair. A liderança aumentava cada vez mais.

Seguia o jogo, Stephen Curry acertava bolas de três aqui e acolá, driblava seus adversários e abria espaços para que seus companheiros pudessem finalizar. Novamente, a vantagem apenas crescia.

Spurs estava apático, se deixarmos Jonathon Simmons de fora. O ala substituiu Kawhi Leonard e até cumpriu bem seu papel, postando 22 pontos. LaMarcus Aldridge, o ala-pivô que veio para San Antonio com a impossível missão de substituir Tim Duncan, simplesmente não foi capaz de conseguir nada para seu time. Sumiu. Não apenas Aldridge, mas todo o time do Spurs sumiu, Warriors venceu todos os quatro períodos de jogo, mesmo deixando só os reservas atuarem nos 12 minutos finais.

Estranho vermos a equipe texana tão dependente de um jogador e isso ser transformado numa partida totalmente inútil dos atletas disponíveis.

Com facilidade, o Golden State Warriors saiu com a vitória (136 a 100) e terminou seus dois jogos em casa com aproveitamento perfeito. Apesar de estar enfrentando a melhor equipe da NBA, o que se vê é um San Antonio Spurs tendo como principal rival seu próprio acúmulo de problemas e dependências. Sigamos, então, para os próximos dois jogos, agora, no Texas.