Reescreva-me

A vontade me inspira,

sou ar sujo.

Privado de purezas.

A tosse vem.

O pulmão não resiste.

Lotado de obscuridades.

Sobrecarregado.

Não me desejes,

sou servo da desgraça.

Ser que causa arrependimento.

Quero estar aqui,

mas a vida, tal qual um imã,

me suga ao caos.

Fraco.

Um cisne em seu leito.

Sou o leite.

Derramado.

Deus,

um reles mortal.

Seus significados não me bastam.

Tira-me a paz,

a ânsia.

Deixei que todas as borboletas fugissem,

lagartas se tornaram.

Sugadas.

Sou a vida que traz o caos.

Esmagado,

da queda senti apenas a brisa.

Um momento de tensão,

onde o medo se alastrava.

Tempo não restara mais,

sou parte da terra.

Barro eu me tornarei.

Fujo às respostas,

consumido pela incerteza de ser.

As pegadas não estavam mais lá,

quiçá existiram.

Folha apagada,

história desconexa.

Reescrito sob calúnias.

Façam de mim o ser mais belo,

criem para mim a história mais romântica.

Terminem com o fim mais trágico de todos.

Ser o que nunca fui.

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