De amores aprisionados e simbolismos
Fábio Luis Rockenbach
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Baita análise, Fábio. No estilo que o filme merece.

Aliás, o cinema asiático eu costumo sempre tratar como pintura, ao menos quando o nível narrativo e visual — ou melhor, a relação mantida entre ambos os aspectos — chega ao ponto de um Amor à Flor da Pele.

Lembro, por exemplo, de como Eu Vi o Diabo, do Kim Jee-woon, faz do sangue a espinha dorsal das imagens, complementadas por golpes e gritos que preenchem tanto a diegese do filme quanto a adrenalina cortante sugerida pela impiedosa montagem da Na-young Nam. A mulher não poupa nada, mas arranca beleza do massacre. Abaixo, um exemplo de enquadramento narrativo, anunciando, da esquerda para a direita, a chegada cada vez mais grotesca da violência (méritos também para o fotógrafo Ping Bin Lee).

Outro exemplo que me vem à mente é o uso da contemplação sonora e visual em A Assassina, que você citou, outro projeto que daria um estudo tão rico quanto o seu. Por mais que o título remeta às conhecidas películas sobre violência literal, a agressividade do filme é pontuada pela maneira com que o Hsiao-Hsien Hou aposta nos momentos que antecedem a ação como forma de descrever o impacto da narrativa. É, em suma, o tal silêncio que precede o esporro. Na imagem, o enquadramento que utiliza o corpo de Nie Yinniang como divisão entre dois mundos: o da paz (à esq.) e o da violência (à dir.).

Enfim, ainda veremos muito do cinema oriental na Moviement. Não tenha dúvidas.