Revelado tema do novo projeto de Quentin Tarantino

E o mergulho acontece em plena década de 70


Não é segredo pra ninguém que o diretor Quentin Tarantino é apaixonado pela década de 70. Seu fascínio por temas como blaxploitation, Nova Hollywood e, claro, pelos filmes de artes marciais, afinal, transborda numa filmografia que desde o início dos anos noventa faz de tudo para reverenciar o período nas telonas. Dito isso, também não é surpresa que em seu novo filme o cineasta tenha escolhido mergulhar justamente nele.

Em entrevistas dadas há poucos dias durante o Festival Lumière, que acontece em Lyon, França, até o próximo dia 16, Tarantino afirmou que atualmente encontra-se num processo de pesquisa que, segundo ele, "não teria necessariamente nenhuma relação com um filme". Sei.

"Eu vou escrever um livro? Talvez. Vai ser um podcast de seis partes? Talvez. Um documentário? Talvez. Estou decidindo."

Definido por ele como um "trabalho em desenvolvimento", o projeto, certamente um longa-metragem, teve algumas de suas nuances reveladas durante as conversas. Filmes são o tema central, claro, e Tarantino aproveitou a deixa para citar Mark Harris e seu "Pictures At A Revolution: Five Movies And The Birth Of The New Hollywood", livro que, segundo ele, o motivou a começar a pesquisa.

Em meio aos seus estudos, Tarantino afirmou ter iniciado também a leitura de críticas da época para entender melhor como foi a recepção do público em face de uma mudança artística tão distinta, proporcionada, entre outros aspectos, pelo movimento cinematográfico intitulado Nova Hollywood.

"A Nova Hollywood foi 'a' Hollywood e tudo que beirava a Velha Hollywood morreu logo de cara. A cada vez que eu ia à biblioteca e dava uma olhada em jornais e artigos da época, para ver como isso aconteceu, eu notava que a Nova Hollywood tinha vencido a revolução. Mas se iria sobreviver não estava muito claro. O cinema mudou tanto que Hollywood acabou alienando o público.
A sociedade demandou o movimento, mas isso não significa que ela o deu suporte como negócio, e isso me fez perceber que a Nova Hollywood do período de 1970 e 1976, pelo menos, foi bem mais frágil do que eu pensava que fosse. Aquele experimento poderia ter morrido ainda em 1970.
Foi assim que eu achei fragmentos interessantes do período. 'O que há de errado com os filmes?'; 'O cinema se tornou assustador'; Será que Hollywood vai sobreviver?'. Havia muitas promessas transformadas em possibilidades de um novo cinema. Era como se nos perguntássemos: será que Hollywood vai sobreviver a toda essa liberdade? E o público, será que a aguentaria? A liberdade parecia não ter limites. Diretores poderiam adaptar qualquer livro, poderiam filmar qualquer coisa. Não havia restrições e talvez aquilo fosse impossível de ser mantido."

Afirmando ainda que a pesquisa já percorre uma estrada de 4 anos desde o seu início, Tarantino parece decidido a fazer algo inédito em sua carreira. Como fã do diretor, não vou mentir: torço para que um documentário com sua assinatura, enfim, ganhe vida. Ainda mais com um cara tão cabeçudo quanto ele no comando de um trabalho que envolve não apenas uma época inesquecível da produção cinematográfica norte-americana, certamente uma das mais empolgantes da história, mas também um cenário complexo e fascinante de um período único da sociedade. Aguardemos mais informações.


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