Por uma Leitura Multitemática

Fonte: Booktrib

Em um mundo que nos estimula a um gosto exclusivista e a um escopo estrito de especialização, eu acabei encontrando muito valor em consumir conteúdos de áreas não necessariamente ligadas (às vezes, nem um pouco) a meu campo de estudos ou mesmo preferência pessoal. Meu interesse é compartilhar um pouco sobre a experiência positiva que tenho tido ao tentar ampliar meu olhar para temas diversos.

obs.: focarei meu texto na atividade de leitura, mas bem que podemos aplicar o mesmo raciocínio a filmes, canais, músicas etc.

“O problema do foco é o fato dele desfocar todo resto”. Fonte: 7-themes.

O Olhar Restrito

Existe uma distinção que precisa ser feita antes de falar sobre minha experiência pessoal. No início do texto, tentei estabelecê-la quando me referi a “gosto exclusivista” e “escopo restrito”.

Sobre o primeiro, esse de fato me parece ser o mais negativo. Não me entendam mal, pois não quero dizer que não sou suscetível a esse efeito. Em minha adolescência, tive realmente várias “fases musicais”. Em certo momento, só havia Beatles para mim. Nada mais me atraía. Porém, anos mais tarde, minha atenção havia se concentrado unicamente em bandas como Metallica. Com isso, acabei perdendo uma exposição precoce a outros estilos musicais e artistas. É compreensível o fato de termos uma preferência (a minha está logo na descrição do meu perfil), mas é nocivo fechar-se ao resto do mundo de opções diante de nós.

A outra situação alude à maneira como o conhecimento acadêmico é construído atualmente. Enquanto cientistas e inventores da Idade Média à Revolução Industrial possuíam um interesse amplo por diversos campos de estudo, somos estimulados a afunilar nossa área de especialização e trabalho. Ora, é sabido que as descobertas científicas e tecnológicas dos últimos cem anos aconteceram a uma velocidade bastante superior, o que gerou uma quantidade absurda de conhecimento, e isso acaba demandando um foco maior em determinados domínios (aproveito para indicar um poema da Helena Clasien chamado “Conhecimento”).

Aliás, foco é uma palavra muito importante aqui. Apesar de nos ajudar a desenvolver uma atividade em sua completude, ele pode acabar nos tirando a atenção das coisas importantes que estão ao redor. Como ouvi certa vez, o problema do foco é o fato dele desfocar todo resto. Portanto, não estou incitando ninguém a abandonar sua pesquisa sobre como os moradores do bairro da Madalena em Recife usam a conjunção “mas” quando fazem compras às terças-feiras (talvez eu devesse). Gostaria apenas de convidá-los a abrir seu campo de curiosidade para outras áreas nem tão afins.

A Visão Ampla

Não gosto de escrever textos tão extensos, até porque acho que eles nem iriam funcionar para muitos leitores. Por isso, não vou aqui descrever cada uma das obras que li recentemente. Ao invés disso, lançarei links onde vocês poderão fazer as pesquisas e compras que forem de seu interesse. Apenas deixo claro que não me considero o supra-sumo da interdisciplinaridade. São apenas minhas singelas tentativas de sair um pouco do lugar comum.

Meu objetivo com essas leituras não foi me tornar especialista nessas temáticas, mas a curiosidade em virologia me fez entender melhor determinados eventos históricos, assim como descobrir mais sobre o Samba trouxe uma valorização maior a esse verdadeiro patrimônio brasileiro. De fato, parágrafos e parágrafos poderiam ser escritos sobre as contribuições que recebi dessas leituras, mas quero encerrar esse texto apenas com o conceito de uma palavra provavelmente nova (e curiosa) para nós: serendipidade.

Ao ler o livro O Filtro Invisível (Eli Pariser), deparei-me com essa concepção. Sendo bem sucinto, este termo se refere às possibilidades de encontrar coisas boas sem estarmos necessariamente procurando por elas. Quantas coisas legais podemos encontrar quando nos expomos ao conhecimento amplo. O autor atribui a isso as descobertas de Copérnico, Galileu, Newton, entre outros. Finalizo ressaltando que foi nesse livro, cujo assunto é basicamente internet, onde eu descobri de maneira formal esse conceito tão… libertador. Serendipidade.

ps.: Vale também uma lida no texto do Vitor Navarro.