Quem dita seus filmes?

Evolve + Ascend

Nossas escolhas são sujeitas as nossas oportunidades. É um pensamento interessante, e até mesmo válido em certa medida. É válido porque há realmente ocasiões em que, por maior que seja o esforço empreendido, é muito difícil conseguir o que se quer. Isso fica bem claro quando olhamos pessoas de baixa renda, que tem suas escolhas limitadas a sua capacidade financeira (e por mais que haja exemplos de pessoas que se formaram em Medicina ou “venceram na vida” mesmo sendo pobres, isso infelizmente faz parte de raras exceções). Nesse sentido sim, as oportunidades que nos são oferecidas costumam ditar nossas opções de escolha. Por outro lado, em determinados campos, esse pensamento pode nos tornar acomodados e relaxados quanto ao desafio de criar nossas próprias oportunidades. Podemos nos sentir desestimulados a escolher algo que não está logo a frente pela distância que teríamos de percorrer até alcança-lo.

Desse fato, seria possível retirarmos vários exemplos de como isso afeta nossas vidas, até mais sérias inclusive. Mas resolvi trabalhar um tema que parece ser mais amplo, mais popular (muita gente se identificaria) e mais fácil de aplicarmos a outras áreas. Quero então falar sobre como deixamos nossas oportunidades ditarem os filmes que assistimos.

Fonte: Elo7

No correr da história, tivemos diferentes formas de ter acesso a filmes. O cinema começou como única opção, e você então estava sujeito às opções que estavam cartaz no cinema local de sua cidade. Depois de um certo período, os filmes começaram a ser exibidos nas TVs domésticas, geralmente exibindo obras já haviam há um bom tempo saído das exibições nos cinemas. A seguir, começaram a surgir as mídias físicas (aqui eu resumo VHS, DVD, Blu-Ray, entre outros), que nos permitiam alugar filmes nas antigas (difícil ainda existir alguma) locadoras e ter uma gama de opções consideravelmente maior, pois agora se passou a escolher não apenas se quer assistir ou não, mas ao que assistir. E mais recentemente, temos os serviços de streaming, como HBO Go, Netflix, Amazon Prime Video, Crackle, Telecine Play etc., onde as opções se tornaram ainda maiores em termos de conteúdo.

Indiscutivelmente, a Netflix se tornou o serviço de streaming mais popular no Brasil, principalmente após começar a produzir conteúdos exclusivos, o que a tornou diferenciada ao trazer séries de super-heróis, ficção científica, questões sociais, entre outros. Hoje em dia, seu catálogo é bastante extenso. Contando episódios, documentários e filmes, estima-se que haja 25.000 itens aqui no Brasil. E há de se confessar que seu conteúdo possui uma relativa variedade de temas, gêneros e nacionalidades das obras que disponibiliza.

É difícil imaginar que algum dia um serviço conseguirá oferecer um catálogo completo de praticamente todos os filmes já produzidos, pois seria comercialmente inviável, até mesmo por falta de demanda. Esse fato tem criado um efeito que mostra o quanto acabamos nos acomodando apenas às oportunidades que nos são oferecidas, pois quando nos é indicado algum filme ou temos interesse em ver algo específico, é comum a pergunta “Tem na Netflix?” e se a resposta for negativa, nossa resolução é fatalmente deixar esse filme para lá e procurar outra coisa para ver.

Sei que paralelo a isso, ainda está a questão de não querermos gastar todo nosso dinheiro em serviços de streaming e que alguns filmes são de fato difíceis de encontrar (há um tempo, tento assistir a “O Homem que Caiu na Terra”, mas perdi a única chance de ver o filme em um cinema na cidade onde moro). No entanto, meu ponto é quão negativa é essa resposta automática que nós damos quando um filme simplesmente não está a nossa mão. Não que ver determinado filme seja a coisa mais importante do mundo, mas é um bom exemplo do quão mal esforçados nós somos em coisas simples ou mais profundas, seja progredir a carreira, desenvolver-se como ser humano ou mesmo aprender um novo idioma.

No fim das contas, a real pergunta é quem dita suas oportunidades.

Fonte: DeviantArt (Nada está fora do alcance)