Quanto vale seu tempo?

Quanto vale seu tempo?
Esta manhã fui ao Shopping e me deparei com uma situação um tanto quanto constrangedora: não tive dinheiro para pagar o estacionamento.

Desde que voltei para o Brasil, depois de longos 8 anos na Inglaterra, e resolvemos morar na roça para criar os filhos, tenho vivido com pequenas doações familiares, mas isso tem me incomodado.
Nossas despesas na zona rural são pequenas; não porque sejamos autossuficientes em relação ao que consumimos (ainda que plantemos roça, horta, etc…), mas porque lá temos muito menos distrações de consumo.

Ainda sim venho pagando o alto preço de me sentir ‘incapaz’ de sustentar minha família.

Quando peso na balança entre voltar para a cidade e ter mais dinheiro, ou ficar na roça sem muitas possibilidades, a balança ainda tem pendido para mato. Mas porquê?

Bom, é uma equação complexa…na roça temos água pura direto da mina, terra fértil que tudo dá, espaço (gratuito) para as crianças correrem, brincarem de bola, subir em árvore…

Enfim, na roça podemos dar a possibilidade das crianças serem ‘selvagens’, andarem nuas, descalças, não alimentarem tantos medos: de formigas, besouros, abelhas, lagartos, e até mesmo cobras!!! Isso mesmo! Certa vez nosso mais velho, inocentemente, passou por cima de uma Cascavel com sua patinete, e ela nem ‘tchuns’ para ele. Claro que ficamos alarmados com o ocorrido, mas em algum sentido, sabíamos que não haveria perigo, pois não tínhamos a intenção de machucá-la, e nem ela a nós.

Quando se vive na roça, algo diferente vai acontecendo com a gente. Primeiro somos bombardeados por desafios: cansativas caminhadas, interações intensas com o mundo natural e MUITO esforço físico para fazer as coisas básicas funcionarem (arrumar água, cuidar do saneamento básico ecologicamente, plantar, construir, modelar o terreno, consertar ferramentas, desatolar o carro etc…) Em pouco tempo surgem as bolhas na mão, mas que bom que persistimos e logo viram calos e param de doer! Passamos a acordar naturalmente muito cedo (antes do Sol), e ao escurecer já sentimos o corpo pedindo por repouso. Eu sei, isso não é pra todo mundo, e nem é um atestado de ‘naturalista’, foi simplesmente a nossa opção. Mas voltando ao capítulo do Shopping, à princípio fiquei frustrado por não ter o dinheiro. Me senti mal, inferior. Ainda relutando, me dirigi ao caixa do estacionamento e disse em voz alta: __’Moça, eu vou ficar aqui na fila até alguém me dar os R$0,60 que faltam para completar a tarifa!’ (R$6,00 por 1h30 de estacionamento!!! CARACA!!) Imediatamente, uma mulher que estava na fila ouviu, e já começou a buscar em sua bolsa para me dar, e eu fiquei muito agradecido, e ela também. Resolvi escrever esta postagem com a intenção de clarear (para mim mesmo) quais foram os sentimentos que me visitaram e como lidar com eles, visto que não é possível simplesmente não senti-los. Desta forma dividi em 2 categorias: sentimentos venenosos e atitudes antídotos. É interessante perceber que os sentimentos venenosos geralmente simplesmente ‘surgem’. Imagino que são como memórias arquivadas em nosso subconsciente, e vem à tona quando encontram a situação ‘propícia’. Já as atitudes-antídotos devem ser acionados como vacinas, tomadas logo após o veneno ter sido ingerido, por nossa mente consciente (uma vez que reconhecemos a causa pela qual sofremos).

Sentimentos venenosos (que geram problemas/conflitos internos/etc…)

Atitudes-antídotos (que geram alívio, bem estar…)

Pensamento Veneno — Não gosto de me sentir dependente dos outros.

Atitude Antídoto — Somos TODOS dependentes de algo ou alguém. Por mais independentes e ricos que sejamos, estamos sempre atrelados (físico ou emocionalmente) à pessoas e situações em nossas vidas que, em certo sentido, são os ‘pedágios’ de nossas existências, e nossas ‘estradas-vida’ precisam disso, senão serão esburacadas pela solidão e pela indiferença.

PV — Não gosto de pedir nada pra ninguém, pois isso me faz sentir incapaz, inferior, humilhado.

AA — Nossas necessidades reais são sempre providas, e se não forem, aquilo é uma lição para a auto-superação. Aceita e segue em frente…

PV — Este sistema capitalista é injusto e desumano.

AA — O sistema é de fato é assim, mas o ser-humano não; só posso ‘perfurar’ o sistema e chegar no ser-humano do outro lado, (e assim contribuir para a melhora disso tudo) se já estiver vivendo o que acredito, ao contrário de me vitimar e continuar condenando o sistema.

No final das contas, testemunhei uma atitude generosa de uma desconhecida, que também saiu sentindo-se bem por ter ajudado um outro desconhecido (no caso eu!).
Concluindo, percebi que o mundo muda quando mudamos nossa atitude frente aos desafios.
Percebi também que se não estou encontrando meios de gerar mais prosperidade no momento que estou, preciso aceitar isso, e não me constranger tanto em pedir o que necessito aos que podem me ajudar. Sabe aquela máxima do São Francisco que diz: ‘é dando que se recebe’? Bom… deixo à disposição o que posso oferecer no momento: minha música! Está lá para quem quiser baixar gratuitamente! Todas minhas músicas para baixar! E se puder me ajudar, muito agradecido eu vou ficar!!! Campanha de financiamento coletivo- Você pode doar aqui!

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