Outros Devaneios…

Chutei uma bola pra longe na minha infância e isso ainda continua me incomodando, talvez pelo fato de nunca mais tê-la encontrado. Não só não encontrei à bola, como não achei o campo onde àquele jogo se dava e até me esqueci do cheiro daquela grama. Por ora, com clareza, só posso afirmar o quão verde era, e quanta saudade sinto daquele lugar. Atualmente só me resta lembrar tais tardes violáceas e os reclames patriarcais diante meu atraso para o café.

Habita em mim um eterno dilema - entre o que fui, o que sou e o que será que serei, já que não sei o que quero de verdade. Sei o que existe em mim, reconheço minha letargia, minhas fraquezas, meu complexo de Ícaro. Sei que o tempo está em tudo, — na terra onde a semente é cultivada, na árvore que romperá esse chão, nas mãos do marceneiro que esculpirá com essa madeira uma cadeira para que eu possa repousar meu ser cansado e envelhecido.

Confesso que tem sido uma longa jornada, um caminho calcado mais de tropeços que acertos, portanto vivo me indagando donde jazem minhas forças? Que bagunça é essa dentro de mim? Por quê continuar se tampouco tenciono reclamar meu direito à mesa? Quantas saudades e incertezas podem habitar dentro de um coração louco que vez ou outra apenas deseja um abraço?

Em fases tão melancólicas e turbulentas acalmo minha alma fugindo, fazendo o inverso do aconselhável. Foi uma maneira torta que encontrei de me sedar, mania essa, que devo por objetivo combater e extirpar. Meu clamor encontra-se raivoso, minha resiliência está frágil, tenho enfileirado instantes e acarretado pesadelos que vão além do suportável. Meus olhos que outrora eram Oásis, agora são aquosos e sem brilho. Talvez seja o momento de aceitar o mundo e seu ineditismo. Conseguir ao pisar em um espinho e sentir a dor - me lembrar que provavelmente ali habitou uma flor.

Por fim, aceitar à natureza e seus tormentos, analisar sua fúria e desbravá-la através da Valsa. Não ser apenas um címbalo que retine. Continuar mesmo quando sangrar. Fazer como os cavalos árabes que mesmo diante do fim, de joelhos, não deixam de mirar o céu. O primeiro passo para colocar em prática tais reformas talvez seja… perdoando meus delírios.

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