Capa de revista

A resposta que muita gente tem dado para a pergunta da (incrível) capa da Galileu é:

“Agora ele não vai mais matar ninguém”.

Ok. Pois é. Não vai. Mas a estrutura que o fez, um dia, ser um “bandido”, continuará intacta. Outras tantas pessoas sem oportunidade e perspectiva continuarão pelo mesmo caminho. Para que, lá na frente, um bando de hipócritas e nojentos “justiceiros” os matem. Mas tá tudo certo, né? Serão aplaudidos (no caso, os justiceiros) pela maioria por, supostamente, estarem combatendo o problema. Não estão. Estão aumentando o mesmo. Com mais desigualdade, violência, segregação e preconceito.

Não sou a favor da pena de morte, não gosto da ideia de cidadão armado e detesto violência. Não falo isso para ser bonzinho ou passar imagem de cidadão exemplar. Não sou. Longe disso. Detestaria ser, aliás. Relato isso por ser meu pensamento. Quem sou eu para decidir sobre a morte de alguém? Não sou ninguém. Não consigo ficar feliz assistindo um bandido todo ensanguentado amarrado em um poste. Me desculpe. Muita barbárie para o meu estômago.

Quando se pensa assim, do meu jeito, as pessoas falam que amamos bandido, queremos parecer heróis e, de forma irônica, “não sou perfeito igual a você”. Ignorância, sabe? Pois é. Aparentemente, hoje, não se pode querer resolver as coisas, sei lá, melhorando a educação ou entendendo o porquê de um bandido vir a ser um bandido. O negócio é sangue. Eu prefiro tentar entender e conversar. Punições? Óbvio. Tem que ser aplicadas. Mas não de maneira doentia e sem sentido, como é hoje.

Não acho que o mundo tenha que ser um grande campo em que todos nós nos abraçamos, felizes, e, depois disso, cantamos Kumbaya batendo palmas para o pôr do sol. Seria chato. Mas também não acho que o mundo tem que ser esse lugar de justiceiros que decide quem ou não deve ficar vivo. Seria um mundo feio. É um mundo feio. Horroroso.

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