Libertador


Não sou lá muito de fazer resoluções para anos que entram, mas, confesso, uma ou outra sempre aparecem. Para 2016 pensei bem forte em uma: fazer coisas que já tive vontade de fazer, mas não fiz por vergonha. Usar sunga na praia, por exemplo.

Passei anos querendo usar boné, mas não usava por causa de minha cabeça grande. Tempo perdido. Lembro da primeira vez que andei de boné na rua. Já tinha uns 17 anos e me senti o dono do mundo. Por essa época eu também não tirava a camiseta por causa de meu peito peludo (Tony Ramos pride). Hoje tiro e uso camiseta sem manga (outra vergonha de outrora).

Ir de sunga para a praia nunca foi um sonho, para ser sincero. Era, no entanto, uma vontade de ver como funcionava a coisa. Sempre me pareceu muito libertador. E é! Já tinha usado sunga em outras épocas, mas, claro, só indoor – e morrendo de vergonha – em aulas de natação. Estar de sunga na praia é outro nível. Libertador, reitero.

Pouco me preocupei com meu peito cabeludo, minhas pernas de ponta esquerdo aposentado e o fato de estar separado do mundo apenas por uma sunga. Foi uma sensação espetacular. Minha pança de ex-fumante, também, pouco importou. A alegria era maior.

Apesar de me sentir extremamente confortável, bem, não sei se isso vai virar uma rotina. Provável que não. Só sei que amanhã volto a praia de sunga. Sem calção por cima. Boiar ganhou outro sentido e minhas coxas conheceram um elemento que nem sabiam que existia: o Sol. Libertador. Libertador.

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