Bangu é um bairro especial. Não por ser bom, seguro e maravilhoso. Muito pelo contrário. Mas por ter vida; personalidade. Em um mar de localidades que apenas estão, Bangu anda. Não. Corre. Rápido, quente e um tanto sem sentido.

Criei carinho por Bangu, o lugar que me adotou. Sou, orgulhoso (confesso), naturalizado banguense. Isso não significa, em nada, que eu o ame. Pois não amo. Sei bem dos meus sentimentos. Entretanto — e com certeza absoluta — admiro esse vale no meio da Zona Oeste carioca.

As ruas de Bangu têm cheiro. Podres, algumas vezes. Capazes de acabar com um olfato com mais maestria que muitas carreiras de cocaína fariam. Contudo, em alguma esquina que você vira, na primeira fungada, a certeza:

“Comida de vó!”

O cheiro da comida caseira invade casas, narinas e memórias. A vontade que surge é entrar na primeira birosca e pedir um prato muito bem servido que, com certeza, foi preparado pela vó de alguém. Óbvio. E, claro, apreciar a divisão de grupos alimentares banguenses conhecida como: não há divisão. Para acompanhar uma Coca-Cola em garrafa de vidro.

O sabor desse tipo de refeição não vem só dos temperos e, sim, de uma conjunção de fatores que, nem sempre (quase nunca) tem a ver com comida. A panela velha, a mão mal lavada, o suor da cozinheira, o cardápio escrito em giz no quadro negro e a poluição que sai do motor de uma Kombi.

Hein? A Kombi? Não faço a menor ideia do porquê, mas, tenha certeza: todo botequim, em Bangu, tem uma Kombi na porta. E isso me parece fundamental para que os almoços nos estabelecimentos banguenses que servem refeições ou entregam quentinhas sejam únicos. Garanto: uma delícia.

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