Educação financeira infantil:

como e quando começar a dar mesada?

Uma entre tantas outras perguntas pairam nas mentes dos pais: como e quando devo começar a dar mesada?

Isso não é privilégio seu, leitor, mas de uma grande maioria de pais que se deram conta do quanto é complexo o mundo em que vivemos quando o assunto é dinheiro.

Você pode estar pensando:

“Qual é a idade em que devo começar a falar sobre dinheiro com meu filho?”
“Se eu começar a falar sobre dinheiro cedo demais será que ele se tornará um materialista que não vai se importar com as pessoas?”
“E se quando eu falar sobre o assunto for tarde demais?”

Para levar uma vida mais leve e com mais qualidade é necessário informação, na verdade, a troca de informação já que vivemos na era do conhecimento.

Informação é tudo e referência também. A referência virá dos pais. Sendo assim, faça uma autoavaliação sobre sua relação com o dinheiro e veja se isso é saudável para você e seu filho.

Conjugando os verbos certos para crescer

Antes de pensar em como e quando começar a dar mesada é importante ensinar seu filho a conjugar os verbos que o ajudarão a lidar com o dinheiro (referência — consultor financeiro Gustavo Cerbasi):

Valorizar

As crianças devem aprender a valorizar o que conquistaram, seja um presente ou um passeio.

Celebrar

Quando ganharem algo, deverão ser estimuladas a celebrar aquela conquista. È uma forma de valorizar também.

Orçar

Utilizar a mesada como um instrumento de educação financeira, ajudará a criança a entender o mecanismo de valor das coisas.

Investir

Ensinar e estimular o hábito de poupar. Os pais podem dar uma forcinha aumentando o valor poupado para que o filho crie uma referência de ganho de investimento.

Negociar

Ensinar seu filho a negociar com ética e bom senso, enfatizando o limite da negociação e fazendo-o perceber a economia conquistada.

Equilibrar

Mostrar que existe um ponto de equilíbrio entre o poupar, o gastar e o bem estar.

Sentimentos não monetários são boas referências para se lidar com dinheiro. (referência — educadora e coach em finanças Ana Paula Hornos).

Gratidão é um sentimento inspirador para uma criança e servirá para mostrar a diferença entre valores financeiros e sentimentais.

A demonstração de cuidado com as coisas (emprestadas ou próprias), reforça o sentimento de respeito ao próximo de modo a não levar em conta o valor, mas o amor.

Ciência da paz = paciência. Saber esperar é uma virtude para aqueles que pretendem poupar. Ensinar seu filho a ter paciência mostrará que ele pode esperar.Não precisa ter agora.

Mostrar o valor do trabalho é ensinar que esta é a única forma de ganhar dinheiro. A referência para isso? Os pais!

Doação: estimule seu filho a doar. Ele se afastará do egoísmo e você terá a oportunidade de ensinar que isso faz do mundo um lugar sustentável, com menos consumo e melhor para se viver.

Começando cedo

Ainda não faz parte da cultura do brasileiro começar cedo com a educação financeira dos filhos. Em países como Singapura, existem seminários que são aplicados em escolas onde as crianças aprendem noções de economia.

Permite desenvolver talento para finanças, ajudando a fazer escolhas inteligentes ao longo da vida.

A parceria dos pais com a escola é fundamental em qualquer parte do mundo. Com metodologia correta a escola integra família e escola nos assuntos financeiros:

  • Começar cedo possibilita estabelecer rotina e disciplina financeira.
  • Crianças são multiplicadoras de informação. São os filhos influenciando os pais.

Como lidar com a mesada

Através do cumprimento de tarefas simples as crianças serão estimuladas a ajudar e serão recompensadas por isso.

O aplicativo Tok2Kids vai te ajudar com isso.Faça seu filho sentir o valor da conquista. Proporcione a ele uma experiência de compra com seu próprio dinheiro. Ensine-o a pechinchar e pesquisar até encontrar o que precisa a um preço justo. Estimule-o a poupar e enxergar o resultado da economia.

Acompanhe como a criança administra os recursos que ganhou. Comece com pouco e aumente a mesada gradativamente sempre como reforço positivo. Lembre-se: a escassez ensina mais que a abundância.

A educação financeira nem sempre é feita só com dinheiro, é feita também de respeito, postura e disciplina:

  • Fique atento ao equilíbrio entre o guardar e o saber gastar.
  • Ensine a valorizar as pessoas pelo que elas são e não pelo que elas tem.
  • Combine tudo sobre a mesada: valor, dia do pagamento, condição para ele receber; assim não será preciso chantageá-lo por nenhum motivo.
  • Nunca adiante a mesada caso ele a gaste antes.
  • Crie mecanismos para seu filho valorizar as coisas que tem e não as coisas que não tem.

Aprender é brincadeira!

Criança gosta de brincar e ensinar de maneira lúdica é muito eficiente. O que fazer com o dinheiro ganho como reforço positivo? Ensine-o a manusear o dinheiro para ele aprender a tangibilizar os recursos.

Você pode utilizar a brincadeira dos três envelopes:

Separe três envelopes. Escreva no primeiro envelope “poupar”; no segundo, “doar” e no terceiro “usar como quiser”. A cada valor que ele receber pelo cumprimento de suas tarefas, peça para ele separar em um dos envelopes.

Na medida em que os envelopes se enchem ele começa a ter a noção visual do quanto ele conquistou e da forma como vai utilizar aqueles recursos:

  • Poupando para comprar algo que ele queira no futuro;
  • Doando para ajudar outra criança, igreja ou comunidade;
  • Gastando com responsabilidade e valorizando o fruto de seu trabalho.

Autor: Jose Antonio Pinheiro.

Professor de Marketing e Desenvolvimento de Líderes.

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