Tears

Aquele cenário mostrava-se cada vez mais impossível de lidar à medida que o tempo passava. Arian já tinha esgotado todas as suas cartas na manga, o Denki Kairo já parecia não ser tão efetivo quanto no começo da luta. Kleine, Lucca e Bryce observavam de longe seu capitão. Caído, de joelhos, em meio a uma floresta devastada pelas chamas provenientes de uma árdua batalha. O Yonkou, em sua forma lendária no corpo de Anubis, o Deus do Submundo, agarrou Arian com uma das mãos.

— Ele vai morrer… — Kleine deduziu com um olhar preocupado.

Lucca não ousava aceitar tal possibilidade, mesmo que estivesse iminente. Em um movimento súbito, Bryce levantou desembainhando sua espada esmeralda e lançando um olhar para Kleine. — Eu te dou cobertura. Vamos, só você pode ajudá-lo agora.

— Do que está falando? Vocês vão morrer lá! — Disse Lucca com os olhos cheios de lágrimas e a voz embargada.

— Eu darei minha vida pelo sonho dele, se for preciso. — A voz de Bryce estava firme esbanjando toda sua lealdade ao capitão.

Lucca fitou os ferimentos horríveis no corpo de Bryce, mesmo que enfaixados e tratados por Kleine, já reconhecido como o melhor médico do mundo. Levou a mão a boca enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto. Seria o fim?

Bryce correu como pôde, sua velocidade estava comprometida devido aos graves ferimentos que se espalhavam pelo corpo. Kleine o seguiu. À distância, o nobre espadachim esmeralda desferiu um de seus golpes, cortando o ar, veloz e emitindo uma luz semelhante a da espada. Anubis olhou, estendeu um dos braços na direção do ataque e atirou uma esfera de energia negra e roxa, suficientemente forte para anular o poder de Bryce e contra-atacar.

— Vermes brincando de piratas, observem com atenção a morte do seu capitão.

Sem demonstrar piedade alguma, o Yonkou atravessou a barriga de Arian com um dos punhos. Ouviu-se um grito ao longe, seguido de um silêncio assustador. Lucca estava em prantos, enquanto Bryce e Kleine pareciam não acreditar. Nem Arian foi capaz de derrotá-lo. O que seria deles? O monstro com cabeça de cachorro largou o corpo do jovem pirata no chão e caminhou na direção dos outros.

— Bryce… segure-o enquanto puder, fuja se precisar. Eu vou cuidar do Arian.

— Entendido.

Embora abalados com o que acontecera, Bryce e Kleine pareciam determinados a fazer alguma coisa. O médico, com a palma da mão para cima e os dedos entreabertos, tentava usar um de seus poderes. Uma pequena esfera apareceu sobre sua mão, e Kleine parecia fazer um tremendo esforço para que ela aumentasse seu tamanho. Conseguiu. Aquela esfera estendeu-se até Arian, cobrindo todo o diâmetro da área entre eles. Kleine teleportou-se para perto de seu falecido capitão.

— Não imaginei que esse dia chegaria. Mas guardei esse último poder especialmente pra você, caso fosse necessário. Faz parte do despertar da Ope Ope no Mi e talvez seja a grande benção desse fruto. Eu darei a minha vida, pela sua, Arian. Pelo seu sonho. Pela tripulação que me acolheu. — Kleine não se aguentou e caiu em prantos pela primeira vez em muitos anos, pelo que lembrava. Levou sua mão direita ao peito do capitão e uma forte luz branca brilhou. — Adeus, Arian, e obrigado pelas aventuras.

Embora fosse sua maior dificuldade, Kleine sorriu como nunca. O mais sincero de todos. A luz da mão do rapaz se apagou e ele desfaleceu no chão, ainda com o sorriso no rosto. Arian abriu os olhos lentamente e quando percebeu que estava novamente acordado e cheio de vigor, deparou-se com um de seus amigos ao seu lado. Confuso com o que havia acontecido, pôs as mãos no rosto de Kleine gritando por ele na esperança de ser correspondido. Sentiu de repente como se um vídeo passasse pela sua mente. Via e ouvia Kleine dizer suas últimas palavras, virou-se para trás e fitou Bryce se defender bravamente do inimigo mais poderoso que já enfrentara. Arian associou os acontecimentos e recobrou a consciência.

Levantou-se, carregando Kleine nos braços. O jovem pirata agora emitia uma forte aura branca, além de faíscas desordenadas e furiosas envolverem toda sua extensão corporal. Sua presença atraiu os olhares do Yonkou. A cada passo, Arian rachava o chão, tamanha era sua força. A aura branca agora passava a revestir seu corpo como Haki, se assemelhando a uma armadura, com o tom alaranjado das faíscas que ele emitia. Com o rosto sério, envolto de raiva e vingança, contrastado com a tristeza extrema de ter perdido uma pessoa querida representada nas lágrimas que escorriam incessantes. Arian encostou o corpo do amigo, ainda quente, em um dos tocos das árvores.

— Leve-o em segurança, Bryce.

O espadachim distanciou-se do Yonkou em um salto. Jamais imaginara que esse era o potencial latente e impressionado com sua presença, tomou Kleine nos braços para se retirar. Mal ensaiou erguer um dos pés quando um vulto branco e alaranjado assustadoramente veloz passou à sua frente. Arian estava se movendo na velocidade da luz, uma das propriedades da faísca. Sem piscar para não perder o que aconteceria, Bryce viu Arian no alto, e no instante seguinte, ouviu-se um estrondo de um relâmpago. Anubis caíra no chão, golpeado no rosto, com marcas de queimaduras feitas instantaneamente.