NÚMEROS CAUSADOS PELA TRANSFOBIA

No início do ano de 2017 repercutiu em nível nacional a notícia sobre o assassinato que ocorreu na cidade de Fortaleza — CE, de forma muito cruel contra Dandara dos Santos, 42 anos. No vídeo que rodou a internet e divulgado por diversos telejornais, foi constatado que a simples e única razão da violência e brutalidade contra a transexual naquele dia era por sua identidade de gênero. No meio da rua, um grupo de cinco homens a agrediu a socos e chutes sem qualquer receio. Por fim, os agressores a acertaram na cabeça com um pedaço de madeira e a colocaram em um carrinho de mão. Segundo informações do G1, Dandara foi levada para o final da rua, onde foi espancada até a morte. As imagens mostradas em vídeo causam choque e horror.

A população TRANS tem sido diariamente discriminada e jogada à margem da sociedade, para logo entrar nas estatísticas de violência sobretudo de agressão seguida de assassinato. Relatórios do Grupo Gay da Bahia (GGB), que junto a Rede Trans e a Trangeder Europe monitoram estatísticas, entre essas, a da violência contra a população LGBT apontaram o ano de 2016 com números alarmantes de crimes resultantes de homofobia e transfobia. Foram 343 mortes. Dessas, 144 de pessoas trans, 42%. Segundo agências internacionais, 50% dos homicídios de transexuais registrados no mundo ocorreram no Brasil.

De acordo com o professor de Antropologia e fundador do GGB, Luiz Mott, “a homofobia é uma epidemia-nacional”.

A questão que vem sendo discutida por organizações defendem as causas dos direitos humanos é a soma dos números que não são registrados, ou seja, esses dados indicam somente a ponta do Iceberg. De acordo com o professor de Antropologia e fundador do GGB, Luiz Mott, “a homofobia é uma epidemia nacional”.

Segundo o Presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, essa epidemia ganha destaque em algumas regiões do Brasil. No Nordeste, o percentual é o mais alto se comparado a todas as nações do mundo. Marcelo alerta para que haja um combate à homofobia e que os direitos coletivos sejam promovidos. Ainda de acordo com Cerqueira, a sociedade sociedade, é misógina e sexista, despreza o sexo feminino. Os dados mostram que 52,5% dos casos foram cometidos por agressores do sexo masculino, 43,9% deles heterossexuais. Segundo ele, isso é o sinônimo do ódio ao que foge a heteronormatividade.

A cada 25 horas é registrada uma morte relacionada à identidade de gênero, levando em conta os números do ano que passou. Em 2017, até o mês de maio foram registrados cerca de 151 homicídios.

Para Margarida Pressburger, membro do Subcomitê de Prevenção de Tortura da Organização das Nações Unidas, além do Brasil ser um país homofóbico e racista, a pressão religiosa que ocorre no congresso nacional bloqueia o avanço da criação de políticas e leis direcionadas a proteger as minorias, especialmente em relação aos homossexuais e transexuais.

Dos números de ocorrências registradas, em somente 60, menos de 20% dos casos, os agressores foram punidos. De acordo com o relatório “Quem a homofobia matou hoje”, realizado pelo Grupo GGB a impunidade estimula os agressores a realizar novos ataques. Os principais perfis dos assassinos são pessoas que têm ou tiveram alguma relação com a vítima ou foram clientes de profissionais do sexo, em geral, motivados por ódio.

Na carta de repúdio da ADEH aos cinemas de Florianópolis, na estreia do filme Garota Dinamarquesa em 2015, há uma versão para alguns casos de homicídio. Os homens matam as profissionais do sexo após um programa para tentar matar um pouco do que têm dentro de si, do próprio prazer que possui na relação com uma travesti, mas que não podem revelar e transformam em ódio.

No atual contexto e com os números registrados de violência, o discurso muitas vezes ainda é inverso, pois culpa-se a vítima. Em uma lista de “argumentos” divulgada pelo site, homofobia mata é possível identificar muitas frases de senso comum sobre os motivos que levaram algum indivíduo a cometer tal crime.

Muitas vezes, a violência começa em casa, seja com agressões verbais, físicas, a expulsão da casa da família.

É necessário fazer uma análise de como são interpretados os casos, como a mídia retrata os envolvidos, como conta suas histórias. De acordo com a ativista, Ivone Pita, “não reproduzir os discursos de inferiorização que nos são apresentados e se livrar dessas amarras do preconceito é necessário para que possamos respeitar e diminuir os números de violência por questões de gênero”.