O lúdico no seu melhor e no seu pior: Um filme e dois episódios
Para quem quer ver o lúdico no seu melhor e no seu pior, selecionei alguns ensaios e exemplos mais visuais. Por comodidade e acessibilidade, todos estão no Netflix. Assim não tem desculpa. ;)

O primeiro é bem sinistro. O segundo episódio da primeira temporada da série Black Mirror mostra o que seria um futuro hipotético caso não nos apoderemos do lúdico de forma reflexiva e crítica. Na verdade, quase todos os outros 6 episódios lançados da primeira temporada tocam o lúdico de forma incrivelmente crítica e de uma maneira franca que jamais vi antes em qualquer audiovisual sobre o tema, o que significa que você pode assistir só esse episódio, mas dificilmente vai conseguir se limitar a ele. O que me impressiona mais ainda nessa série toda é que são todos os episódios foram escritos pelo mesmo autor, Charlie Brooker, uma espécie de Stephen King da ficção científica. Só para dar um pouquinho mais de vontade para os mais velhos, ele tem um quê da antiga série Twilight Zone.

A segunda recomendação que dou é para que você assista um filme que tem um pouco de “teen”, mas que se assistido com a lente correta, pode trazer reflexões interessantes. O filme Ender’s Game (lançado no Brasil com o complemento de título “o jogo do exterminador. Pois é, eu sei, eu sei, também achei lamentável.) é um relato do que seria uma escola totalmente gamificada, com exercícios e aulas totalmente baseadas em jogos e aprendizado lúdico, prático. O filme perde um pouco das interessantes discussões filosóficas do livro original, mas é possível extrair muitas reflexões interessantes principalmente pelo enredo básico do filme. O livro teve tanto impacto que há uma série de sequências do autor Orson Scott Card (Então, o cara tem jogo até no nome!). Impossível falar muito sem estragar o filme, assim deixo aqui a recomendação para que simplesmente assistam. Deixo aqui a frase inicial do filme, uma das frases mais profundas que já li sobre empatia:
No momento em que verdadeiramente entendo meu inimigo, o suficiente para derrotá-lo, então naquele mesmo momento eu também o amo. Creio que é impossível realmente entender alguém, em suas vontades, em suas crenças, e não amá-lo da mesma maneira que eles se amam a si mesmos. E então, nesse mesmo momento em que os amo, eu os destruo.
E terceiro e último, talvez o que mais gente já tenha assistido: o primeiro episódio da segunda temporada da série Chef’s Table, com o Chef Grant Achatz. O que me absolutamente fascinou nesse Chef foi o nível de inovação em termos de se questionar toda a forma do ato de comer e a forma como ele tornou o lúdico como ponto central de toda a experiência do cliente. Novamente, não vale ficar falando muito, você entenderá ao assistir. Mas assista com a lente do lúdico pelo menos uma vez e te prometo pelo menos um ângulo interessante da coisa.

Finalmente, gostaria de discutir sobre as reflexões e opiniões sobre o que você achou, pensar a dois é sempre mais interessante. Assim, elogie, critique, deteste, ame. Mas comente. Adoraria ouvir sua opinião.
- Published on September 16, 2016