Anime o Mitta #1: Little Witch Academia

Antes de qualquer coisa: som na caixa!

Olá a todos! Venho aqui dar início a uma série irmã do “Pipoca na Panela”, porém focada em animações japonesas em geral. Visto que cresci vendo animes, há alguns que gostaria de falar sobre e indicar. E o anime que abre essa seção é um que gostei desde que vi a primeira animação e que nos últimos dias me encheu de motivação, além de estar me ajudando a passar por um mês puxado: Little Witch Academia.

Pôster da primeira animação, de 2013.

Essa pequena (ainda sim muito brilhante) joia da Trigger dirigida, concebida e criada por Yoh Yoshinari começou com um projeto usando fundos de incentivo à animação aos jovens animadores do governo japonês em 2013, na época chamado de Anime Mirai. A animação tinha só 26 minutos e foi feita por 9 animadores (sendo 5 novatos vindo desse programa), mas tinha uma ótima premissa e uma animação apaixonante! Era um ótimo exemplo de que, quando o orçamento permite, a Trigger consegue fazer segmentos de animação fora de série de tão fluídos, inspirados e apaixonantes!

Em seguida eles partiram pro Kickstarter, onde as pessoas ajudaram com mais de 650 mil dólares e culminou em 2015 numa outra animação intitulada Little Witch Academia: The Enchanted Parade, dessa vez de 53 minutos. É um filme onde há um foco maior no desenvolvimento das personagens e nos dilemas que eles enfrentam. Ainda sim, também é cheio de cenas realmente belas e incríveis. Esse ano essa série enfim virou um anime seriado e se encontra ainda em exibição no Japão.

A princípio, é um anime mais leve, ambientado em um universo fantasioso onde magia, bruxas e monstros fantásticos existem paralelamente com o mundo parecido com o nosso. Acompanhamos a chegada de Atsuko Kagari (Akko, como gosta de ser chamada) na escola de magia Luna Nova, onde ela busca aprender mais sobre o mundo da magia e trilha seu caminho para realizar o seu sonho: se tornar uma bruxa como sua ídolo Shiny Chariot, que realizava shows para todas as pessoas, entretendo e encantando-as com suas magias magníficas e que enchiam os olhos de beleza e os corações de emoção e motivação.

Um detalhe bem fofo do apelido dela é que é basicamente o primeiro nome dela, com o “tsu” ficando pequeno, que em japonês causa essa contração e vira “Akko”

Ao longo da série acompanhamos também as descobertas de Akko nesse mundo cheio de magia, como ele funciona e sua realidade. Ao mesmo tempo que somos apresentados a um mundo de magia, o ambiente escolar prevalece e muita das tramas são sobre os estudos, a relação das professoras com as alunas, o bullying que algumas sofrem pelas supostas “patricinhas” e todas as atividades escolares, competições e festivais… É muito interessante como cada episódio recebemos um fragmento de informação sobre a situação política e financeira que a escola de encontra. Pois a Era de Ouro da Magia passou há muito tempo e as bruxas e a magia que elas dominavam se tornaram obsoletas. A academia, as professoras e até alunas buscam ainda serem relevante, enquanto precisam encarar diversos problemas internos e crises.

Akko vivencia seus dias na academia ao lado das novas amigas Lotte Jansson (uma jovem introvertida que consegue se comunicar com espíritos e sonha em assumir a loja de itens mágicos de seus pais) e Sucy Manbavaran (uma excêntrica fanática por cogumelos e por poções feitos a partir deles) que mesmo com personalidades tão diferentes ela se complementam e buscam ajudar umas às outras.

Akko não foge do padrão de uma protagonista cabeça-dura: ela possui um grande sonho, porém não possui nenhum talento ou habilidade excepcional (tanto que ela possui bastante dificuldade para realizar magias e mal consegue voa em uma vassoura). Seu maior trunfo é o ser seu grande sonho e uma visão mais otimista e alegre de ver o mundo. É o que a norteará para passar pelos desafios e para provar seu valor diante de alunas criadas em famílias tradicionais do mundo da magia. Ela também se mostra bastante impaciente, desleixada com tarefas que não despertam seu interesse e um pouco inocente diante do mundo que está inserida.

Apesar de tudo isso possa soar “clichê” ou cansativo a primeira vista, é justamente isso que a torna tão interessante. É uma jovem com um grande sonho, porém não sabe exatamente como projetá-lo, ou por onde seguir. Há momentos que ela se frustra, chora por não sentir estar progredindo, dada a ameaça constante de ser expulsa por viver sempre abaixo da média. Mas graças aos incentivos de sua amigas, e principalmente de uma determinada professora, que Akko começa a descobrir o que realmente quer e que caminho precisa trilhar para mostrar a todos como a magia que a encantou quando criança é realmente inspiradora.

Inclusive, um dos meus episódios favoritos é o 7º, em que uma professora a defende ao dizer algo que todo educador deve buscar em um aluno: não é compará-lo aos melhores alunos, ou ao resto da classe… mas sim como esse aluno se desenvolveu e melhorou comparado a si mesmo quando começou sua jornada acadêmica.

Outro episódio que levanta uma discussão muito boa é o 4º. Nele, Lotte vai a um evento de lançamento do 365º volume de sua série de livro favorita: A Noite Cai (Nightfall no original). Neste evento ela teria a oportunidade de ver enfim a autora dos livros que lhe ajudou a passar por uma infância marcada por bullying pelo fato de ser uma bruxa. É um episódio muito bacana que aborda a questão do autor x leitores e quando o feedback negativo deles começam a desmotivar um autor. Além de abordar a relação fã x ídolo que me identifiquei e muito.

A grosso modo, daria pra dizer que LWA é tipo “o Harry Potter dos animes” no que tange o universo de magia, e uma academia para jovens bruxas (dá até para ver um ou outro personagem que possui personalidade similar a algum personagem de HP), mas ambos possuem premissas e problemáticas diferentes e histórias bem distintas também.

Eu já tinha ouvido falar dele quando comecei a me interessar pelas produções da Trigger, cheguei até a ver tal página do Kickstarter para o Enchanted Parade, mas foi apenas quando ambas a animações chegaram no Netflix, dublados pelo icônico estúdio Delart, que pude enfim comprovar suas qualidades.

Vou aproveitar e comentar um pouco da dublagem que tem no Netflix. Por ter sido feita pela Delart, a dublagem conta com grandes mestres da dublagem, como a Miriam Ficher (a Botan de Yu Yu Hakusho ) fazendo a Professora Ursula, Christiane Monteiro (a Lindinha das Meninas Super Poderosas) fazendo Sucy e até Isaac Bardavid nos agracia ao dublar o dragão ranzinza Fafnir, além de outros medalhões e veteranas. A protagonista é dublada pela Ana Elena, que acertou em cheio na hora de interpretar a Akko. Ela consegue ser estridente, vocalizar suas vontades e soltar berros e gritos tão naturais e genuínos que até me remete aos tons de uma dublagem em japonês. Não poderia ser outra pessoa a interpretá-la.
Caso tenham curiosidade, o Não Nasci Herói gravou um trechinho:

https://www.facebook.com/Nao.Nasci.Heroi/videos/1389412371108444/

Uma outra coisa bem bacana é ver como a academia Luna Nova possui alunas de todas as partes do mundo. O próprio trio principal é composto por uma japonesa (Atsuko Kagari), uma filipina (Sucy Manbavaran) e uma FINLANDESA (Lotte Jansson). Há ainda uma personagem chamada Diana que é inglesa e, dado o caráter global da escola, todas as placas, livros e textos no anime estão em um ótimo inglês (com exceção das cartas em japonês da Akko, o que faz perfeito sentido já que ela as comprou na sua terra natal). Meus sinceros parabéns à todos por este detalhe na animação.

Livros, placas, anúncios…. todos escritos em um ótimo inglês.

Algo que gosto muito de notar nessa trajetória das animações de Little Witch Academia é como os dois primeiros projetos foram realizados por meio de investimento externo (seja por programa do governo japonês ou financiamento coletivo) e culmina agora em uma série regular.

Algo que me fascina no estúdio Trigger é que mesmo com poucos recursos, eles nos agraciam com animações extremamente criativas e inspiradoras, cheias de paixão em cada frame.

Eu achava que esse mês de Julho eu seria esmagado por compromissos e desafios. Eu me inscrevi em um curso de preparação para uma prova de proficiência em japonês num nível maior do que estava tentando passar da ultima vez (e não havia conseguido) estava com receio de que não era bom o suficiente, nem seria aplicado o bastante para as aulas contínuas que teria na primeira metade desse vez. Cheguei até mesmo a duvidar dos motivos de eu estar fazendo esse curso.

Até que a primeira temporada dele chegou no Netflix. Fui assistindo aos poucos todos os dias e ver as provações que a Akko passava para mostras às outras e a si mesma de que possui a garra e a dedicação necessária para superar os obstáculos. Em um mundo tão fantástico (ao mesmo tempo com história tão humanas e próximas a todos os que assistem) e visualmente deslumbrante, Little Witch Academia me inspirou, me motivou e me deu forças a não só continuar a seguir nas escolhas que eu fiz, como encará-las com muita energia, disposição e até bom humor. Isso tudo me fez lembrar o quão tenaz eu sou com os meus sonhos, mesmo quando pareço inexperiente ou incapaz de realizá-las. Eventualmente consigo pequenas conquistas, e tudo graças tanto a minha persistência e aos meus amigos que me apoiaram e também acreditam em mim. Tal qual ocorre nesta série.

Enfim, Little Witch Academia é uma série muito bonita, com muito coração e tanto as duas animações como os primeiros episódios já estão no Netflix. Recomendo fortemente que assistam, prometo que não vão se arrepender! Gostaria muito de ouvir o que vocês acharam, se possível!

“Acreditar no seu coração é a sua magia.”

Obs.: Caso tenham curiosidade, há os Making Of das duas primeiras animações legendadas em inglês. Eles mostram bem a realidade de um estúdio de animação, os desafios dos novatos e a relação deles com o diretor.

-The Making of Little Witch Academia OVA

-The Making of Little Witch Academia: The Enchanted Parade