Arquitetando responsabilidade social

Na UEG, estudantes têm contato com comunidade de baixa renda e compreendem a importância da atuação social do arquiteto e urbanista

Por Bárbara Zaiden

Ao longe, centenas de casas e telhados com espaços milimetricamente calculados entre si. Mais um conjunto residencial popular, em que as crianças brincam pelas ruas sem opções de lazer, pois onde deveriam existir praças, creches e escolas, existe apenas terrenos baldios cobertos pela terra seca.

Ali, foram construídas 826 casas exatamente iguais, habitadas por famílias com renda de até R$1.600. Essa é a realidade encontrada no Residencial Leblon, em Anápolis, que funciona como objeto de estudo do escritório-modelo idealizado pelo projeto de extensão Prisma (Projeto de Interesse Social), do curso de Arquitetura e Urbanismo do câmpus Henrique Santillo, da Universidade Estadual de Goiás.

Conhecer para transformar

Os futuros arquitetos e urbanistas da UEG realizaram a primeira visita técnica ao Residencial Leblon como parte das atividades do Prosa — 1º Seminário de Extensão Universitária em Arquitetura e Urbanismo. O evento foi uma das ações do Prisma em 2015.

O professor Lino Peres, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi um dos palestrantes do Prosa. Ele explica a importância desses estudantes terem contato com os moradores das cidades. “O escritório-modelo é um avanço e cobre uma área que é muito carente, uma população que, infelizmente, não tem acesso à assistência técnica dos arquitetos e urbanistas; ele supre essa lacuna social em um campo que não é coberto por esses profissionais”, afirma.

Por meio dos escritórios-modelos, esses estudantes prestam serviços às comunidades de baixa renda, considerando as necessidades encontradas e trabalhando coletivamente.A coordenadora do Prisma, professora Laila Beatriz da Rocha, explica que as ações de 2015 tiveram como objetivo preparar os estudantes e iniciar o contato com as comunidades locais. “Fazemos distinção entre o assistencialismo de certas ações e uma extensão que, realmente, empodere a comunidade. Assim, quando o grupo de extensão sair da comunidade, ela terá condições de resolver as coisas por conta própria”, explica.

Erly José Gonçalves, líder comunitário do Residencial Leblon, ressalta a importância do contato da Universidade com as comunidades carentes no processo de empoderamento e busca de direitos. “A gente fica muito feliz por ter onde morar, mas seria bom se os governantes enxergassem os outros problemas. O nosso futuro está nas mãos desses estudantes, que podem nos dar auto-estima com novos projetos”, afirmou Erly durante a visita dos alunos da UEG ao residencial.

Consciência ampliada

Ações como as desenvolvidas pelo curso de Arquitetura e Urbanismo demonstram que a UEG cumpre o seu papel de universidade pública ao proporcionar a formação de profissionais com olhar crítico, que contribuem para o crescimento das comunidades em que estão inseridos.

É o exemplo da estudante do oitavo período de Arquitetura e Urbanismo na UEG em Anápolis, Renata de Morais Goulart. A jovem afirma que a universidade foi o espaço em que ela pôde ampliar a consciência e compreender a responsabilidade social da profissão escolhida.

“O Prosa tira o aluno da sala de aula para ele viver coisas que não estão no currículo dele, traz diferentes temáticas e debates, amplia o leque de conhecimento. Eu acho isso muito rico, muito válido”, afirma a jovem de 22 anos que também é voluntária em uma Organização Não-Governamental (ONG) no Distrito Federal.

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