Reitor Haroldo Reimer: “A jovem UEG em construção”

Dando início ao semestre, as coordenações de Jornalismo e Audiovisual do Centro de Comunicação Institucional da Universidade Estadual de Goiás (CeCom) prepararam uma série de entrevistas especiais sobre aspectos da gestão e da vivência acadêmica na UEG. Até o final de março, publicaremos, toda semana, uma entrevista diferente para que tenhamos um panorama completo das ações da Universidade e possamos saber quais são as perspectivas para o futuro da nossa jovem universidade.

Nesta primeira entrevista, o reitor da UEG, professor Haroldo Reimer, compartilha os principais desafios da gestão e fala sobre as conquistas e aspectos históricos que marcaram a trajetória da Universidade. Ele também ressalta o privilégio que é ter acesso ao Ensino Superior e dá as boas-vindas aos estudantes recém-chegados à Instituição. Confira o vídeo e leia a entrevista na íntegra:

UEG ENTREVISTA: Prestes a completar 17 anos, quais são os principais desafios no tocante à gestão de uma instituição com a estrutura da UEG?

PROFESSOR HAROLDO REIMER: A UEG, aos seus 17 anos, é uma instituição ainda jovem e que há alguns anos passou por um rápido processo de expansão. Em razão desta expansão, ficaram demandas acumuladas principalmente no que se refere à infraestrutura, como reformas de câmpus e uma série de outros equipamentos necessários para a boa ambientação do processo de ensino-aprendizagem. Juntamente com a nossa Gerência de Infraestrutura estamos trabalhando para isso. Infelizmente tivemos alguns percalços nos últimos dois anos, mas pretendemos avançar com rapidez nessa questão.

Conseguimos agilidade em uma série de procedimentos administrativos, como por exemplo o processo de compras simplificado. Também no setor de compras, ganhamos agilidade e competência em várias dimensões, mas ainda há muito o que fazer. Em especial, o que nos preocupa também é que não conseguimos fazer um processo formativo para o pessoal técnico-administrativo da UEG para que os servidores estejam sempre atualizados às exigências cada vez mais complexas no que tange a administração de uma instituição pública.

Um dos apectos marcantes na gestão da UEG é o fato de que ela é compartilhada, ou seja, cada câmpus possui autonomia e responsabilidade em relação aos seus recursos. Qual é o balanço feito pelo senhor desta política de gestão universitária?

A questão de firmar a ideia da autonomia universitária, no sentido de que cada gestor, dentro de sua área de competência, se sinta responsável por aquela parcela da Universidade que está aos seus cuidados, é muito importante. O atual estatuto da Universidade prevê a diretriz de descentralização de competências e estamos trabalhando nesse sentido. No entanto, ainda existem empecilhos de logística. Hoje já temos alguns instrumentos, como o sistema de administração chamado Finis, a partir do qual conseguimos saber, em tempo real, os custos de cada câmpus.

Com a conquista da implantação das Colações de Grau Unificadas e Gratuitas, como a UEG tem evoluído em suas ações afirmativas?

Quem acompanhou as colações unificadas e gratuitas em 2015 pôde perceber que elas coroaram um conjunto de ações da universidade no que tange o acesso ao Ensino Superior por parte de uma parcela da população que, se não fosse a UEG, estaria excluída deste processo importante na conquista da cidadania. Eu, pessoalmente, participei de mais de 30 cerimônias, em um conjunto de 58 realizadas, e pude presenciar a alegria, o regozijo e o reconhecimento dos alunos e seus familiares e amigos em relação a esta nova política.

É preciso investir nos estudantes e dar suporte para que os mesmos obtenham sucesso em suas trajetórias acadêmicas. Quais são as ações da UEG neste sentido?

Em termos históricos, a UEG foi importante no Estado para propiciar a democratização do acesso ao Ensino Superior. Em muitos lugares, foi a instituição que primeiro ofereceu ensino superior na cidade ou na região. Desde 2013, estamos com um Programa Próprio de Bolsas. Das nove modalidades, uma merece destaque, que é a Bolsa Permanência. No ano passado e neste ano, oferecemos 600 bolsas/ano, possibilitando aos nossos alunos condições mínimas para levar em bom termo o curso superior. Com isso nós também atacamos um problema recorrente às universidades que é a evasão universitária. Em termos estatísticos, cabe relembrar que de cada 100 alunos que entram no Ensino Superior, apenas 44 concluem seus cursos — estes são dados do MEC. Com o pacote de bolsas, queremos fortalecer políticas públicas no sentido de que cada vez mais jovens possam concluir seus estudos.

A UEG adota o sistema de cotas há mais de uma década.

Este foi outro marco histórico da Instituição. A UEG foi a primeira instituição de ensino superior no Estado de Goiás a ter o sistema de cotas para alunos de escola pública, negros e índios. Estamos no 11º ano desta política e um grupo de trabalho da UEG está incubido de produzir os resultados desta política ao longo dos últimos anos. E temos como um registro muito particular, se você olhar para os rostos dos alunos da UEG, esses rostos são marcadamente negros ou pardos, gente trabalhadora e que vem da parte mais empobrecida da sociedade.

É uma universidade que, por sua própria natureza multicâmpus, preza pela pluralidade.

Sim. E a Instituição busca ser eticamente e politicamente correta no tratamento das diferenças instaladas da UEG. No final do ano passado o Conselho Universitário aprovou o uso do nome social dos nossos alunos, bem como das pessoas que trabalham na Universidade. Entendemos isso como uma ação de respeito para com as pessoas, resguardando suas dignidades.

Atualmente há discussões em relação ao acolhimento de refugiados em cursos oferecidos pela UEG. O que o senhor pode adiantar a respeito da proposta?

A vinda de refugiados ao Brasil, em especial do Haiti, e também as pessoas vindas das lutas incessantes no Oriente Médio, já se tornou uma questão preocupante em muitos lugares. Uma instituição de ensino superior como a UEG não poderia ficar à margem das discussões em relação a esta questão. Tivemos o insight, no final do ano passado, de propor ao Conselho Universitário a criação de pelo menos uma vaga para refugiados, ou pessoas que estão no Brasil por questões humanitárias, em cada um dos cursos da UEG. Não é muito, mas é o que a Universidade pode fazer no sentido de fortalecer a sua presença como instituição inclusiva. E eu, pessoalmente, entendo que ainda que a Universidade receba um contingente pequeno nesta primeira seleção, a própria instituição se fortalece e se enriquece com essa diversidade cultural e linguística que será incorporada.

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