1 de Dezembro | Dia Universal da Luta contra a SIDA

Na semana em que se assinala do Dia Mundial da Luta contra a SIDA, partilhamos uma fotogaleria da República Democrática do Congo que relata a dura realidade de um país onde ainda há muito por fazer no combate ao HIV/SIDA.

Leia o documento “Crianças e SIDA: Actualização estatística” aqui.

À ESPERA DE UM DIAGNÓSTICO [fotogaleria]

O tempo de espera pelos resultados do teste ao VIH pode demorar meses a chegar — o que é muito tempo para um bebé. Mas com novas tecnologias é possível obter resultados no próprio dia, permitindo que seja dado início aos tratamentos mais cedo e, assim, salvar vidas.

Nunca o número de despistes e tratamento de VIH em mulheres grávidas foi tão elevado na República Democrática do Congo (RCD), recebendo 68% destas tratamento. No entanto, apenas um quarto das crianças que vivem com VIH recebem tratamento e apenas 17 por cento dos bebés fazem o teste antes dos dois meses de idade. Estima-se que cerca de 42.000 crianças com VIH vivam na RCD, mas muitas desconhecem que são portadoras do vírus.

©UNICEF/UN0147630/Schermbrucker

Celeste vive a 75 km da clínica de Mfuta, uma unidade de saúde remota para cerca de 80.000 pessoas na qual todos os testes e trabalhos de laboratório têm de ser enviados para análise em Lubumbashi — a cidade mais próxima, a 600 km de distância. Esta mulher desconhecia que tinha VIH porque, devido à distância, não podia ir à clínica durante a gravidez. Quando o pequeno Emmanuel ficou doente aos nove meses de idade, Celeste fez o caminho a pé até à unidade de saúde, mas quando lá chegou foi informada de que os kits de teste estavam esgotados.

©UNICEF/UN0147628/Schermbrucker

Modest Kabango, aqui em primeiro plano, é o enfermeiro-chefe na clínica Mfuta.

“Pode demorar cerca de um ano até uma mãe receber os resultados do teste do seu filho… Não temos autorização para administrar tratamento anti-retroviral se não houver um teste positivo”, afirma a Dr.ª Lucie Nkonde, responsável de saúde da área de Kasanga.
©UNICEF/UN0147627/Schermbrucker

Os bebés podem esperar dias, semanas e por vezes meses para serem diagnosticados porque os testes de diagnóstico rápido usados para adultos não funcionam em crianças pequenas. Em vez disso, as amostras têm de ser enviadas para um laboratório que processa testes de mais oito províncias do país.

Uma técnica de laboratório prepara um teste de VIH em Lubumbashi.

©UNICEF/UN0147632/Schermbrucker

Celeste deu ao filho alimento terapêutico para combater o estado de má nutrição do bebé, mas Emmanuel continuou a piorar. Durante uma visita de pessoal de saúde à sua comunidade, disseram-lhe para testar o pequeno contra o VIH. Ela caminhou novamente até à clínica, atravessando rios com água que lhe chegava a dar pela cintura.

“Mas não desisti… Foi o meu coração que me ajudou a chegar aqui”, disse.
©UNICEF/UN0147631/Schermbrucker

A amostra para análise de Emmanuel foi enviada com carácter de urgência. Os resultados demoraram cinco meses a chegar, tempo durante o qual Celeste ficou viúva.

Na clínica de Mfuta, o enfermeiro-chefe Modest Kabango tem muitas dificuldades em prestar cuidados de saúde até à chegada dos resultados do teste.

“Temos de tentar manter o bebé vivo até os resultados do teste chegarem”, disse.
©UNICEF/UN0147629/Schermbrucker

Quando os resultados do teste deram VIH positivo, começaram imediatamente o tratamento e, lentamente, a sua saúde começou a melhorar. Sem tratamento, metade dos bebés nascidos com VIH morrem antes do seu segundo aniversário.

Na Unidade de Saúde de Kaboko, na vila de Kinsenga, um técnico recolhe uma amostra de sangue de um bebé para enviar para teste do vírus.

©UNICEF/UN0147633/Schermbrucker

As consequências dos atrasos dos testes são devastadoras, resultando muitas vezes na morte desnecessária e no sofrimento intenso de milhares de crianças.

Jean Ngoy, de 3 meses, aguarda ao colo da mãe numa ala do hospital de Katanga. Jean sofre de má nutrição aguda severa e tem VIH.

©UNICEF/UN0136851/Schermbrucker

Ao contrário do caso de Emmanuel, em que os resultados demoraram muito tempo a chegar, no novo Ponto de Tratamento as máquinas de diagnóstico podem obter resultados no próprio dia, permitindo imediatamente dar início ao tratamento. Isto permite a médicos na RDC, como a Dr.ª Nkonde, tomar decisões na hora e começar a terapia de tratamento do VIH nos bebés com medicamentos cruciais à sua sobrevivência.

Para todas as crianças, o fim da SIDA.

Saiba mais sobre este tema aqui.


Este projecto é um esforço conjunto da UNICEF, da CHAI e da ASLM com o apoio da Unitaid.

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