Sessão Informativa sobre a Síria

com Secretário-assistente interino, Stuart Jones

“A brutalidade continuada do regime de Assad, incluindo o uso de armas químicas, representa uma ameaça clara à estabilidade e à segurança regional, assim como aos interesses de segurança nacional dos Estados Unidos e nossos aliados.”

15 de maio de 2017

Sala de Coletivas

Washington, D.C.

NAUERT: Bom dia a todos.

PERGUNTA: Bom dia.

NAUERT: É ótimo ver vocês. Obrigada a todos por se reunirem aqui tão rapidamente hoje. Bem-vindos ao Departamento de Estado. Pedimos que vocês viessem aqui para dar algumas novas informações sobre a crise da Síria, que já dura seis anos. Estou acompanhada hoje do secretário-assistente interino para o Bureau de Assuntos do Oriente Próximo, Stuart Jones. Stuart retornou recentemente das discussões em Astana. Ele nos dará informações atualizadas e também fornecerá hoje algumas informações sobre a Síria que deixaram de ser confidenciais.

Na semana passada, o secretário Tillerson se reuniu com o chanceler russo, Sergey Lavrov, durante mais de uma hora aqui em Washington. Vocês leram o comunicado dessa reunião, mas eu gostaria de dar-lhes um contexto adicional e detalhes sobre essa reunião que saíram hoje.

O secretário Tillerson foi firme e claro com o ministro Lavrov: a Rússia tem enorme influência sobre Bashar al-Assad. Um aspecto fundamental dessa reunião bilateral foi dizer à Rússia para usar o seu poder para frear o regime. Em resumo: a morte e a devastação foram longe demais na Síria. O ministro Lavrov foi claro também ao dizer que compartilha dos mesmos objetivos dos Estados Unidos na Síria: uma nação unificada e estável. Ambos concordaram que o caminho para levar estabilidade à Síria deve surgir através de meios diplomáticos e políticos.

Pedimos que a Rússia use sua influência com o regime de Assad para fazê-lo aderir a um cessar-fogo negociado e duradouro. Esse cessar-fogo, acreditamos, reduzirá a violência e também garantirá o acesso humanitário desimpedido e interromperá a matança de civis. Essas ações ajudarão a criar as condições em campo para uma resolução política deste conflito.

E com isso passarei para o secretário-assistente interino, Stuart Jones. Ele responderá às suas perguntas até o final. Obrigada.

Stuart, por favor.

JONES: Obrigado, Heather. Bom dia. Obrigado por estarem aqui hoje. Desde que o conflito civil na Síria começou, em 2011, o regime de Assad ameaça as forças de oposição e os civis desarmados como se fossem uma única e mesma coisa, cometendo violações disseminadas da lei internacional, incluindo a Lei do Conflito Armado e a legislação sobre direitos humanos. Hoje, estamos divulgando relatórios e fotos que deixaram de ter a classificação de confidenciais e que ressaltam as profundezas a que o regime sírio chegou com o apoio contínuo dos seus aliados Rússia e Irã.

Os fatos que estamos apresentando hoje são baseados em relatos de organizações não governamentais internacionais e locais, de reportagens da imprensa e também de avaliações da Comunidade de Inteligência. A brutalidade continuada do regime de Assad, incluindo o uso de armas químicas, representa uma ameaça clara à estabilidade e à segurança regional, assim como aos interesses de segurança nacional dos Estados Unidos e nossos aliados.

De acordo com a Organização das Nações Unidas e organizações de direitos humanos confiáveis, a guerra civil na Síria ceifou mais de 400 mil vidas, muitas das quais eram civis. As ações do regime de Assad incluem execução extrajudicial, fome, violência sexual e negação dos serviços essenciais, como alimentos, água e atendimento médico para a população civil.

Desde 2002, o regime conduz rotineiramente ataques aéreos e ataques de artilharia em centros urbanos densos, incluindo ataques com barris-bomba, bombas não guiadas improvisadas, que às vezes são descritas como IEDs [artefatos explosivos improvisados] lançados do ar. O regime de Assad sistematicamente alvejou hospitais do leste de Aleppo em múltiplos ataques, matando pacientes e profissionais médicos. (Tossidas.) Desculpe.

Além dos ataques aéreos, o regime continua sistematicamente raptando e torturando detidos civis, frequentemente espancando, eletrocutando e estuprando essas vítimas. Um ex-fotógrafo documentarista do regime que trabalhava sob o nome de Caesar compartilhou mais de 10 mil fotos de vítimas de Assad com a comunidade internacional. De acordo com várias ONGs, o regime raptou e deteve entre 65 mil e 117 mil pessoas entre 2011 e 2015.

Além disso, o regime autorizou a execução extrajudicial de milhares de detidos usando enforcamentos em massa na prisão militar de Saydnaya. Saydnaya fica a 45 minutos de viagem de Damasco e é um dos maiores e mais seguros complexos penitenciários da Síria. Saydnaya é apenas um dos muitos centros de detenção onde prisioneiros são mantidos e abusados. Outros incluem o centro de detenção do aeroporto de Mezzeh e as Unidades de Segurança Militares 215, 227, 235, 248 e 291, espalhadas por toda a Síria.

O regime detém 70 prisioneiros em Saydnaya em celas com capacidade para cinco pessoas. E, de acordo com inúmeras fontes, o regime é responsável por matar 50 detidos por dia em Saydnaya. Fontes confiáveis acreditam que muitos dos corpos foram depositados em valas comuns. Agora acreditamos que o regime sírio instalou um crematório no complexo penitenciário de Saydnaya onde os restos mortais dos detidos poderiam ser destruídos sem que restem muitos indícios.

Desde 2013, o regime sírio modificou um prédio dentro do complexo de Saydnaya para dar suporte ao que acreditamos ser um crematório, conforme mostrado nas fotos que distribuímos a vocês. Apesar de muitas atrocidades do regime também terem sido bem documentadas, acreditamos que a construção de um crematório é um esforço de encobrir a extensão dos assassinatos em massa que ocorrem na prisão de Saydnaya.

Os Estados Unidos expressaram, afirmaram muitas vezes que estamos horrorizados com as atrocidades cometidas pelo regime sírio. E essas atrocidades foram cometidas aparentemente com o apoio incondicional da Rússia e do Irã. Há duas semanas, como Heather disse, participei da conferência de Astana, no Cazaquistão, como o observador dos EUA. Nessa reunião – conduzida por Turquia, Rússia e Irã, os avalistas do processo de Astana –, foi decidido em acordo criar “zonas de desescalada” que reduziriam a violência e salvariam vidas.

Diante do fracasso dos acordos de cessar-fogo passados, temos razões para ser céticos. O regime deve cessar todos os ataques a civis e forças de oposição, e a Rússia deve assumir a responsabilidade por garantir a conformidade do regime. A Rússia aderiu à unânime Resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU, a qual exige que todas as partes cessem imediatamente todos os ataques – quaisquer ataques contra civis. Ou a Rússia auxiliou ou ignorou passivamente enquanto o regime conduziu um ataque aéreo contra um comboio da ONU, destruindo o leste de Aleppo, e usou armas químicas, incluindo gás sarin, contra civis na província de Idlib em 4 de abril.

Durante sua visita aqui na semana passada, o ministro Lavrov reconheceu que não existe solução militar para o conflito sírio. A Rússia deve agora, com grande urgência, exercer sua influência sobre o regime sírio para garantir que essas terríveis violações parem agora.

Com isso, passarei às perguntas de vocês. Muito obrigado.

NAUERT: E eu vou intermediar.

PERGUNTA: Obrigado. Duas coisas. Primeiro: você está sugerindo que a Rússia e/ou o Irã têm alguma coisa a ver com esse crematório?

JONES: Não.

PERGUNTA: Não, ok. Então, segundo: você tem alguma ideia de quantos – você disse milhares de enforcamentos em massa – quantos desses corpos foram descartados em valas comuns ou – e quantos estão sendo queimados?

JONES: Não. Então, você tem conhecimento do relatório da Anistia Internacional que projetou que – entre 5 mil e 11 mil pessoas foram mortas em Saydnaya entre 2011 e 2015.

PERGUNTA: Certo.

JONES: Isso lhe dá uma ideia do que o –

PERGUNTA: Certo.

JONES: E então existem outros – outros dados que sugerem 50 execuções por dia no complexo.

PERGUNTA: É muito. Quero dizer, isso é muito. Você – todas essas – você acha que, em todas essas 50 execuções diárias, os corpos estão sendo queimados ou –

JONES: Não sei. Mas – mas o nosso – o que estamos projetado – o que estamos avaliando é que, se você tem esse nível de produção de assassinatos em massa, então usar o crematório ajudaria – permitiria ao regime administrar esses cadáveres que saem do complexo penitenciário.

NAUERT: Margaret.

JONES: Em sem indícios.

PERGUNTA: Muito obrigada por esta coletiva. Duas perguntas para você. Primeiro: você tem alguma informação atualizada sobre os americanos, Austin Tice ou outros, que podem estar detidos ou que se acredita que estão detidos pelo regime? E, se existe qualquer relação aqui, por favor me diga. E segundo: você falou sobre as conversas com Lavrov – novamente, o argumento de que a Rússia está ajudando e assistindo aqui. O secretário saiu dessa reunião com algum tipo de acordo ou algum tipo de resultado para que eles digam que estão dispostos a recuar? Eles vêm dizendo a vários secretários de Estado, há algum tempo, que eles não estão associados ao regime de Assad.

JONES: Então, sobre a questão dos reféns dos EUA, não, não vemos uma relação entre os reféns dos EUA e o que estamos falando sobre o que acontece aqui na prisão de Saydnaya.

Sobre a questão da conversa entre o secretário e o ministro Lavrov, houve conversas produtivas entre o secretário e o ministro russo. Eles falaram sobre um caminho futuro para a Síria. E o presidente – desculpe, o secretário reconheceu que a situação da relação entre a Rússia e os Estados Unidos está em um ponto baixo. A Síria é um dos fatores onde gostaríamos que as relações melhorassem, mas eu não diria que eles traçaram um caminho futuro específico no sentido de como resolver o problema das atrocidades sírias ou mesmo como avançar no processo de Genebra. Apesar de, é claro, estarmos participando do processo de Genebra, de apoiarmos o processo de Genebra, acreditamos que, além de atingir um cessar-fogo na Síria e a cessação das hostilidades, o processo político precisa seguir em frente.

PERGUNTA: O que torna isso produtivo, então?

JONES: Acho que –

NAUERT: (Inaudível) Nicole.

PERGUNTA: Oi, obrigada por esta coletiva. Vocês apresentaram à Rússia essa prova visual? Vocês pediram a eles para tomarem alguma medida e/ou tiveram alguma resposta deles?

JONES: Então, temos – nós não apresentamos esta [prova] particular – eu não apresentei esta prova particular aos russos, mas temos discussões em andamento com os russos, falando sobre o problema que o fato de eles não condenarem as atrocidades sírias e a sua aparente tolerância com as atrocidades sírias criaram e pedimos que o regime – pedimos que o governo russo responsabilize o regime por essas atrocidades.

PERGUNTA: Senhor? Sim, Senhor? (Inaudível.)

NAUERT: Rich Edson.

PERGUNTA: Isso consiste, ou não consiste, em um argumento convincente, ou existe uma consideração de ação militar para destruir o crematório, algo desse aparato aqui?

JONES: Como o presidente disse, não vamos sinalizar o que vamos fazer e o que não vamos fazer. A esta altura, estamos conversando sobre essa prova e levando-a à comunidade internacional, que nós esperamos que pressione o regime a mudar o seu comportamento..

PERGUNTA: Posso apenas – apenas uma pergunta – extremamente breve? O que dá a vocês tanta certeza de que isso seja um crematório, e não apenas um outro prédio? Isso está com neve derretida? Porque, quero dizer, as pessoas vão olhar para isso – o regime em particular ou – e os russos, que vocês estão – eles vão olhar para isso e dizer: bem, tudo isso prova que existe um prédio lá e que esta parte onde há – onde a neve está derretendo é simplesmente mais quente do que o resto do prédio. Parece que –

JONES: Então, se você olhar – então, obviamente, estas fotos foram feitas em vários anos de 2013 a 2017. Se você olhar para a foto mais antiga, a foto de 13 de agosto, isso é durante a fase de construção e essas instalações de AVAC [aquecimento, ventilação e ar-condicionado], o tubo de escapamento, a provável parede corta-fogo, a provável entrada de ar, isso está na fase de construção. Isso seria plausível se eles estivessem construindo um crematório.

Então, olhamos para a foto de 15 de janeiro e estamos olhando para a neve derretida no telhado que indicaria um crematório. Então –

PERGUNTA: Ou apenas uma parte mais quente do prédio, certo?

JONES: Possivelmente.

PERGUNTA: Jones –

NAUERT: Dave Clark.

PERGUNTA: – eu poderia perguntar sobre –

NAUERT: Última pergunta.

PERGUNTA: Se a Rússia se recusar a fazer alguma coisa com relação a isso, o que vai acontecer?

JONES: Bem, os russos – o chanceler russo Lavrov e o governo russo indicaram para nós que eles têm interesse em encontrar uma solução para a Síria, e não há solução para a Síria sem um processo político e, certamente, sem um fim destas atrocidades. Então, esperamos que os – nós poderemos trabalhar com os russos de uma maneira construtiva para pressionar o regime a parar com estas atrocidades, que o governo russo assumirá a responsabilidade pelo seu parceiro, o regime russo, para parar com estas atrocidades e –

PERGUNTA: Posso apenas complementar rapidamente isso? Você disse que essa prova é – bem, vocês acumularam [provas] durante quatro anos, 2013, 2017. Essas informações de inteligência apenas se tornaram concretas recentemente e é por isso que vocês as estão divulgando hoje? Ou vocês as estão divulgando hoje na expectativa de um efeito político?

JONES: Eu diria que estas informações vêm sendo desenvolvidas e, com a reunião da semana passada entre o ministro Lavrov e o secretário, este foi um momento oportuno para lembrar as pessoas das atrocidades que estão sendo cometidas dentro da Síria durante todo o tempo, das quais isso é apenas mais uma prova distinta.

PERGUNTA: Jones, sobre cessar –

NAUERT: Obrigada a todos.

PERGUNTA: – sobre cessar os ataques contra a oposição, isso inclui o Estado Islâmico e a frenta Al-Nusra?

NAUERT: Obrigada.

PERGUNTA: Obrigado.

Em inglês: https://www.state.gov/r/pa/prs/ps/2017/05/270865.htm