TRECHOS: Considerações do Presidente Obama na coletiva de imprensa após a Cúpula da OTAN
Casa Branca
Gabinete do Secretário de Imprensa
Para divulgação imediata
09 de julho de 2016
TRECHOS: Considerações do Presidente Obama na coletiva de imprensa após a Cúpula da OTAN
Estadio Nacional
Varsóvia, Polônia
18:29 CEST
PRESIDENTE OBAMA: Boa noite a todos. Mais uma vez, gostaria de agradecer ao governo e ao povo da Polônia por acolher esta Cúpula da OTAN. E gostaria de agradecer especialmente ao povo de Varsóvia pela maravilhosa hospitalidade. Esta é minha terceira visita à Polônia. A cada visita, fomos recebidos com imensa amizade, e isso representa os laços estreitos entre nossos dois países.
[…]
Agora, aqui na Europa, este é um momento crucial para nossa Aliança. Nos quase 70 anos da OTAN, talvez nunca tenhamos nos deparado com essa série de desafios de uma só vez, em áreas como segurança, humanitária e política. Os países da OTAN, Estados Unidos, Canadá, França, Bélgica e Turquia, sofreram ataques terroristas hediondos organizados ou inspirados pelo EI. A Rússia violou a soberania e integridade territorial de uma nação europeia independente, a Ucrânia, e assumiu comportamento provocativo em relação aos aliados da OTAN. As fronteiras e economias europeias foram testadas por milhões de migrantes fugindo de conflitos e da privação. E o referendo realizado no Reino Unido para a sua saída da UE suscitou questões sobre o futuro da integração europeia.
Neste momento desafiador, quero aproveitar esta oportunidade para deixar claro o que nunca mudará: o inabalável compromisso dos Estados Unidos com a segurança e defesa da Europa, com nossa relação transatlântica, com nossa defesa comum .
E o próximo ano marcará o centenário do desembarque das primeiras tropas norte-americanas em solo europeu na Primeira Guerra Mundial. Desde então, em duas guerras mundiais, uma longa Guerra Fria, e as décadas que se seguiram, gerações de norte-americanos serviram aqui com vistas à nossa segurança comum. Em cemitérios tranquilos, da França à Itália, passando pelos Países Baixos, os norte-americanos ainda descansam onde pereceram. Mesmo agora, mais de 60.000 militares norte-americanos estão servindo em dezenas de países europeus.
E o que quero dizer com isso: Nos bons e maus momentos, a Europa pode contar com os Estados Unidos, sempre.
Aqui em Varsóvia, não simplesmente reiteramos nossas obrigações duradouras perante o Artigo 5 no que tange à nossa segurança comum; estamos avançando com o maior reforço de nossa defesa coletiva desde a Guerra Fria. Em primeiro lugar, estamos fortalecendo a posição de defesa e dissuasão da OTAN. Com base em nossa Iniciativa de Reafirmação Europeia, que já ampliou a prontidão, da região báltica até o Mar Negro, a nossa Aliança irá intensificar nossa presença ofensiva em nosso flanco oriental.
Conforme anunciei ontem, os Estados Unidos serão a nação líder aqui, na Polônia, mobilizando um batalhão de soldados norte-americanos. O Reino Unido assumirá a liderança na Estônia, a Alemanha na Lituânia, e o Canadá na Letônia. Isto equivale a cerca de 4.000 tropas adicionais da OTAN em regime de revezamento nesta região. Além disso, a Brigada Blindada adicional dos EUA fará revezamento pela Europa, incluindo 4.000 tropas norte-americanas a mais. Nesse ínterim, ao sul, acordamos novas medidas de dissuasão na Romênia e na Bulgária. Assim, a OTAN enviará a clara mensagem de que defenderemos cada um dos aliados.
Estamos também fortalecendo a prontidão de nossas forças contra uma série de ameaças. Desse modo, a força-tarefa conjunta da OTAN já está ativa e poderá ser mobilizada em qualquer lugar da Europa, em um curto espaço de tempo. Com os recentes avanços aqui na Polônia, Romênia e Espanha, a defesa à base de mísseis balísticos da OTAN está sendo virtualizada. E estamos lançando uma nova iniciativa para aumentar a resiliência dos aliados visando a melhor defesa contra novos tipos de ameaças, inclusive ataques cibernéticos.
A OTAN está ampliando nosso apoio para a Ucrânia. Em nossa reunião da Comissão OTAN- Ucrânia, acordamos um novo pacote de assistência para melhorar o apoio da Aliança às forças ucranianas. O Primeiro-Ministro Cameron, o Presidente Hollande, a Chanceler Merkel, o Primeiro-Ministro Renzi e eu nos reunimos com o Presidente Poroshenko, e reiteramos nosso forte apoio à soberania e integridade territorial da Ucrânia, bem como a necessidade de dar continuidade às reformas políticas e econômicas.
(Aplausos vindos de outra sala.)
Obrigado. Já estou recebendo aplausos. (Risos.) Nem terminei ainda. (Risos.)
E mesmo com a reunião da OTAN-Conselho da Rússia em Bruxelas na próxima semana, nossas 28 nações estão unidas em nossa visão de que não podemos lidar com a Rússia como se estivéssemos em situação de normalidade até que ela cumpra por completo suas obrigações de Minsk.
A OTAN também intensificará seus esforços na luta contra as redes terroristas. Cada aliado já contribui para a campanha contra o EI. Agora, a Aliança contribuirá com aeronaves AWACS para melhorar nossa inteligência, vigilância e reconhecimento contra o EI. O treinamento das forças de segurança iraquianas oferecido pela OTAN, atualmente na Jordânia, será transferido para o Iraque, onde poderão ser ainda mais eficazes. E seguindo minha decisão de manter em grande parte a presença atual de tropas norte-americanas no Afeganistão até o ano que vem, 39 países, inclusive os EUA, mobilizaram mais de 12.000 soldados para a missão de treinamento da OTAN. Além disso, cerca de 30 países destinaram mais de US$ 900 milhões para ajudar a manter as forças afegãs, o que constitui uma fortíssima indicação de nosso compromisso duradouro perante o Afeganistão.
Estamos intensificando nossos esforços no flanco sul da OTAN. A Aliança ampliará nosso apoio a operações navais da UE no Mediterrâneo com vistas a deter os traficantes de armas e caçar os criminosos que estão explorando migrantes desesperados. E ampliaremos nossas ações para ajudar os parceiros do norte da África até o Oriente Médio e à Geórgia, a fim de reforçar sua própria capacidade de defesa.
E, por fim, depois de muitos anos, a OTAN interrompeu a queda coletiva nos gastos com defesa. Nos últimos dois anos, a maioria dos membros da OTAN interrompeu cortes e começou a investir mais em defesa. E isso significa que agora há um aumento programado dos gastos com defesa em toda a Aliança. Quero fazer um elogio especial a nossos amigos no Reino Unido, Polônia, Grécia e Estônia, todos os que, juntamente com os Estados Unidos, contribuem integralmente com menos 2 por cento de seu PIB para nossa defesa coletiva. Porém, para aqueles que fizerem os cálculos, isso significa que a maioria dos aliados ainda não alcançou essa marca de 2 por cento, uma obrigação que acordamos no País de Gales. Por isso, tivemos uma conversa muito franca a esse respeito. Há um reconhecimento de que, dada a sucessão de ameaças que enfrentamos e os recursos de que dispomos, todos precisam participar e todos precisam fazer melhor.
Para concluir, gostaria de observar que esta é minha última Cúpula da OTAN. Durante todo o meu mandato, uma das minhas prioridades máximas da política externa tem sido o fortalecimento de nossas alianças, sobretudo com a OTAN. Ao refletir sobre os últimos oito anos, tanto sobre os avanços bem como os desafios, posso dizer com confiança que cumprimos essa promessa. Os Estados Unidos ampliaram nossa presença aqui na Europa. A OTAN exibe a força, agilidade e prontidão de sempre. E, a julgar pela presença de Montenegro nesta cúpula, a porta para a adesão à OTAN continua aberta para os países capazes de atender aos nossos elevados padrões.
Assim, ninguém nunca deve duvidar da determinação desta Aliança em permanecer unida e centrada no futuro. E assim como nossas nações mantiveram-se unidas nos últimos cem anos, sei que manteremos a união e nos tornaremos ainda mais fortes nos próximos cem anos.
[…]
P Obrigado, Sr. Presidente. Ao longo da cúpula, os líderes da UE mostraram sua confiança de que o Brexit se dê de forma serena. Também frisaram que o Reino Unido precisa ter acesso a um mercado aberto e precisa continuar a respeitar a liberdade de migração dos trabalhadores. Para alguém que reiteradamente defende a globalização e exalta as virtudes da imigração, este princípio não deveria já estar incorporado nas negociações? Que garantias específicas Vossa Excelência recebeu de outros líderes durante a cúpula que o deixam confiante de que os mercados de capitais estão errados, e que a agitação política na Grã-Bretanha e, posteriormente, na UE, transcorrerá sem problemas?
E, por fim, Vossa Excelência e o Secretário Kerry usaram o termo “se” para se referir ao Brexit. Bem, gostaria de saber se Vossa Excelência vê alguma maneira de o povo britânico voltar atrás em relação a esta questão.
PRESIDENTE OBAMA: Acho que devemos entender que um referendo que foi aprovado, atraiu grande visibilidade, foi alvo de uma longa campanha e registrou índices de participação relativamente altos, veio para ficar, e que o novo governo, um governo conservador, invocará o artigo 50 e iniciará o processo de negociações. Como esse processo se desenrolará e como as negociações se darão, a meu ver, ficarão a cargo das partes envolvidas.
A principal mensagem que fica aqui é que somos amigos, aliados e parceiros comerciais próximos do Reino Unido e da UE. Permaneceremos amigos, aliados, parceiros próximos, continuaremos a ter fortes relações com os lados do Canal da Mancha. Nosso interesse primordial é ter a certeza de que as negociações e este processo sejam os mais serenos e sensatos possível, reconhecendo que o acerto é do interesse de ambos os lados.
São grandes parceiros comerciais. E é aí que os bens circulam. E é importante que nenhum dos lados endureça suas posições de forma que acabe causando danos às suas respectivas economias e, em última análise, à economia mundial no momento em que ainda está um tanto oscilante em alguns lugares.
Quero levantar outra questão. Não sei se é correto dizer que sou um grande defensor da globalização. O correto dizer é que acredito que o processo de globalização veio para ficar, em decorrência da tecnologia e da mobilidade do capital, de navios cargueiros e de cadeias de suprimentos globais. E é lícito imaginar que poderíamos retroceder a fita em 50 anos e ver se poderíamos reorganizar parte desse processo, mas está acontecendo. Está diante de nós. E vemos todos os dias em nossas vidas. Todos que carregam um smartphone no bolso estão vendo.
E meu argumento é que existem enormes benefícios a serem extraídos dessa integração global, do mesmo modo que há enormes benefícios a serem extraídos da integração europeia, contanto que reconheçamos que essa integração traz o perigo do aumento das desigualdades, ou de uma situação de desvantagem para os trabalhadores e do favorecimento do capital, que ameaça deixar as pessoas para trás.
E se não tomarmos medidas para certificar-nos de que todos possam participar dessa integração global, assegurando um bom nível salarial, recompondo o pacto social de tal modo a contemplar a previdência e a saúde, assegurando que as comunidades não sejam abandonadas por completo, quando uma fábrica fechar as portas e que haja um plano econômico para a transição, se não fizermos tudo isso de forma eficaz, haverá uma reação contrária.
No que diz respeito à imigração, a experiência dos EUA é que a imigração deixa, de longe, um saldo positivo para nosso crescimento econômico, nossa cultura, nosso modo de vida. Agora, nos Estados Unidos, a menos que você seja um indígena americano, todos necessariamente vieram de outro lugar. A Europa pode não ter tantas dessas tradições.
Mas lembre-se que uma das imensas vantagens macroeconômicas que os EUA têm é que ainda somos um país relativamente jovem, nossa taxa de natalidade não está em queda como na Europa, ou na Rússia, China ou Japão. E isso é consequência da imigração. E trata-se de um conceito básico de economia: se você tem uma população mais jovem, sua taxa de crescimento será maior.
E os imigrantes são esforçados e dedicados. E buscam construir uma vida melhor. Caso contrário, não se mudariam de onde estavam. E isso faz parte de nossa tradição, nossa cultura e nossa sociedade.
Porém, os enormes influxos do tipo que testemunhamos na Europa sempre serão um choque para o sistema. E eu acho que faz todo sentido para a Europa, mesmo com toda a generosidade demonstrada, e acho que a Chanceler Merkel merece enorme crédito e outros líderes europeus que aceitaram essas populações de migrantes merecem enorme crédito, porque isso é difícil. Sobrecarrega o orçamento. Sobrecarrega a atividade política. Sobrecarrega a cultura. É legítimo que digam: “vejam, devemos diminuir o ritmo.” Precisamos gerenciar essa situação adequadamente.
É por isso que estamos organizando uma conferência da ONU sobre refugiados paralelamente à Assembleia Geral das Nações Unidas, porque alguns países não deveriam estar suportando o ônus de 60 milhões de refugiados. E precisamos pensar em estratégias para permitir que as pessoas de países muito pobres, ou que estejam no meio de uma zona de guerra, desfrutem de um pouco de paz e prosperidade. De resto, o mundo encolheu e elas vão querer se mudar. E essa situação não irá desaparecer tão cedo.
Esta é mais uma razão de que devemos pensar globalmente, de forma mais ampla, dada a integração global. Tudo porque nossos interesses de segurança e nossas economias dependerão dos acordos institucionais transfronteiriços que tivermos.
E a OTAN é um exemplo de uma instituição multilateral verdadeiramente duradoura que nos ajudou a superar alguns momentos muito difíceis. Porém, mesmo a melhor das instituições precisa se adaptar às novas circunstâncias. Isso se aplica a organismos como a OTAN. Se aplica a organismos como a ONU. Se aplica a organismos como a UE. Se aplica a toda a arquitetura que ajudou o mundo e nossos países a melhorar seu padrão de vida e reduzir consideravelmente a violência como um todo entre os estados nas últimas décadas.
[…]
Muito obrigado a todos. Obrigado, Polônia. (Aplausos.)