A ciência como forma de se maravilhar

— Os nossos pés são parecidos com nossas mãos.

Esse foi um comentário despretensioso da minha (quase) namorada, conversamos sobre isso, nenhum de nós é expert em anatomia, mas mesmo assim pudemos ter uma conversa razoável. Passadas algumas horas a nossa conversa voltou à minha cabeça e comecei a pensar em como a ciência expande nossa capacidade de se maravilhar com o mundo. Ela nos incita a pesquisar, a querer saber; fomenta nossa curiosidade em vez de nos dar uma resposta vazia e evasiva.

Pensar cientificamente amplia os sentidos, é olhar com um “olho-telescópio”, ouvir com um “ouvido-radiotelescópio” e perscrutar a inimaginável amplidão do espaço. É abrir a possibilidade de se maravilhar com coisas inimaginavelmente fantásticas que estão ao nosso redor e que muitas vezes não fazemos a menor ideia. É assumir uma posição cética na análise dos dados, é investigar rigorosamente.

Nem as mentes mais mirabolantes e criativas que já viveram sobre a Terra seriam capazes de imaginar maravilhas que acontecem no mundo do muito pequeno (e.g., princípio da incerteza , dualidade onda-partícula), do muito grande (e.g., universo em expansão, regiões no espaço de onde nem a luz pode escapar), do muito rápido (e.g., paradoxo dos gêmeos, massas que aumentam), do muito lento (e.g., evolução da vida). Tudo isso decorreu da prática da ciência.

A ciência amplia nossa capacidade de se maravilhar, nesse sentido a ciência realiza milagres (do latim miraculum, do verbo mirare, “maravilhar-se”). Fomenta nossa curiosidade implacável, somos naturalmente curiosos, nenhum dogma descansará em paz enquanto houver humanos.

A simples questão da aparência dos nossos pés com nossas mãos nos dá um gostinho do encanto que ver o mundo cientificamente pode nos causar. Muito mais gratificante do que abafar a curiosidade e acatar verdades prontas, tal como o criacionismo. Tentem pensar cientificamente, como disse Carl Sagan, a ciência é mais do que um corpo de conhecimento, é um modo de pensar. Tente a ciência.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Uelbert Alves’s story.