GENTE BONITA SOFRE MUITO

Casos de assédio e demérito levam as pessoas à depressão

Antes que alguém pense que é um deboche ou auto-afirmação, já aviso que não é um texto cômico nem sou galã de periferia narcisista dada minha deficiência de potencial estético mas é o fruto de pesquisas pessoais desde testemunhos e reportagens mais a base científica de artigos.

O primeiro sofrimento das pessoas bonitas começa quando acham que a vida delas é diferentemente melhor por causa da aparência e começa a perceber que pessoas estão com inveja de algo que lhe foi dado naturalmente e piora quando se notifica o invejoso da situação e ele passa a te considerar presunçoso por se achar invejado.

Um preconceito recorrente sobre as pessoas bonitas é pensarem que elas sofrem menos que “os outros” por serem bonitas, dadas situações iguais para todos que vão desde ataque de insetos até cansaço de viagem ou ainda sofrer por amor ou stress profissional. A dor delas costuma ser minimizada pelos outros, como ser bonito obrigasse eles a sofrer menos.

Claro, se os problemas parassem aí este texto nem precisaria ser escrito mas os piores preconceitos que as pessoas bonitas sofrem são assédio moral em todos os campos de vivência interpessoal que ocasionam em bullying, perseguição, demérito intelectual, fofoca, acusações de promiscuidade e violência por parte de homens e outras mulheres.

Na parte das experiências pessoais conversando com F.R.P, morena linda que parece uma índia, disse que a mulher do RH não a contratou porque “ela não iria deixar gente do tipinho dela entrar na empresa pra tumultuar”, mesmo tendo passado nos testes exigidos nas dinâmicas.

Na balada com F. C. L. eu avisava inocentemente á ela que “tal pessoa pisou no teu pé!” e ela alegava que era normal. Linda, alta, loira, magra e modelo por algum tempo, alegava que era comum na balada receber pisões de mulheres e por isso evitava sair com sandálias ou sapatos que não protegiam por inteiro.

F. V. era a “mulata” (odeio o termo por vir carregado de preconceitos) que chamava a atenção por ser linda, estatura mediana e podia ser facilmente uma rainha de bateria mas foi trabalhar no TeleMarketing e sofria preconceitos por não estar sempre sorrindo quando as pessoas queriam e eu mesmo no início a achava “esnobe sem conhecer” até ela vir puxar assunto comigo. Não demorou pra criarmos amizade e ela revelar se pudesse seria uma tábua: sem bunda, sem peito, só para não ouvir mais cantadas na rua.

Piora quando questiono (na época eu era babaca e juvenil) dela ser mal-agradecida por nascer como muitas gostariam de ser e ela complementa: é uma maldição, se pudesse arrancava tudo. Ela preferia se mutilar a carregar o fardo de ser mulher bonita em um país machista, era como uma maldição.

A amiga A. P. disse o mesmo meses depois, ao relatar o absurdo que F. V. havia dito e ela disse que faria o mesmo se pudesse. A. P. tinha uma beleza exótica e nariz naturalmente empinado que fazia o recalque feminino borbulhar, mas ela não fazia nada para provocar isso. Tinha poucas amigas e muitos homens comprometidos “no pé” e mesmo sem dar bola, as pessoas julgavam ela que era assediada e não esses assediadores que deviam honrar o compromisso monogâmico assumido com suas cônjuges.

Um amigo bonitão não-modelo disse que era chamado de gay pelos colegas do trabalho porque não tinha barba e um rosto fino masas colegas do escritório o achavam bonito e ele não se importava com nada disso. Como se não bastasse a tentativa de ofender alguém o “acusando” de homoafetividade, era o único meio daqueles caras inseguros tentarem justificar para si mesmos que não eram “inferiores” ao cara que só queria trabalhar em paz.

G. B. é mulher, bonita, Gamer, a conheci num grupo de criadores de jogos amadores e ela recentemente foi obrigada a ir na delegacia de crimes digitais pois havia “contraído” um Stalker, perseguidor digital que a ofendia usando perfil fake sem nenhum motivo aparente que não a “audácia” dela ser bonita, competente, inteligente e Nerd. Como um babaca poderia compreender esta realidade se foi bombardeado desde a infância que essas coisas não combinam? Apesar de não sabermos se foi uma ameaça masculina ou feminina até hoje mas prometeram arrancar-lhe os dentes, cortar seu cabelo e furar-lhe os seios. É literalmente um ataque à beleza dela.

Lembrei que poucos anos atrás uma reportagem dizia que um homem foi banido da Arábia Saudita pro ser bonito demais e o próprio modelo disse que não era do país, só do evento que ele trabalhava por atrair mulheres demais, estas que são proibidas de se aproximar dos homens que não sejam seus donos ou filhos. Imagine quantos homens bonitos não foram mortos nos países onde homoafetividade é crime por simples casos de inveja e insegurança masculina?

Claro que, num espectro social machista, a mulher bonita sofre muito mais que os homens bonitos, sem falar que são os alvos preferidos dos perseguidores, namoradas inseguras, dignidade questionada, sua própria simpatia é julgada como “oferecimento” e quando séria como esnobe. O senso comum discursa que as mulheres bonitas não sobem na vida se não forem em troca de favores sexuais e que nunca passariam fome pois podem se prostituir.

Não é a toa que o índice de bonitos depressivos no mundo seja alto pois eles sofrem de solidão para evitarem convívios tóxicos que os julgam pela aparência e quando não os consideram frágeis são considerados perfeitos pois o bonito teria que ser bom em tudo pois a beleza vende a ideia de perfeição plena.

Diante de tantas incoerências no discurso do preconceito contra os bonitos, fica uma tentativa de diálogo de um feio para outro feio, principalmente para quem leu o título e entendeu “gente bonita sofre mais”.