MACHINHO — o sexo frágil

Antes de culparmos a testosterona, paremos um segundo para pensar porquê o sexo masculino é mais voltado para a violência. Certamente vai sobrar para a neurologia mas levemos para o lado mais psicológico. Se o homem é biologicamente mais forte e com hormônios que garantem esse potencial energético, quando foi que o ser tribal calmo virou um espancador de gays, mulheres e torcedores de outro time de futebol?
Parodiando Simone de Beavouir, pode-se dizer que ninguém nasce Machão, torna-se.
A grosso modo, o machão é a caricatura do praticante do machismo que conhecemos e empodera-se na permissividade social de poder ser o “nervosão bruto”, fator que para uma mulher seria considerado insanidade, a menos que ela entre no crivo do machismo: seja lésbica, alta e forte. Se usar coturno então, vira “parça”.
O que fica escondido pela fina camada do óbvio é que o machismo é uma capa invisível que pretendia esconder a fragilidade desse cara sofrido, vítima de valores doutrinados pela mãe, esta submissa ao marido, que ensinou que “homem não chora”, “se apanhar na rua, apanha em casa quando chegar chorando”, “se apanhar de menina é viadinho”, entre outros absurdos que antes nos fazia orgulho, agora faz vergonha.
Mas quais as características do Machão oprimido pelo machismo que idolatra?
- Mostrar semrpe que é forte, para que não mexam com ele.
- Está sempre gritando, pra mostrar que é perigoso
- Acha que tudo que não compreende é frescura
- Está sempre em grupo, sozinho fica com medo
- Tem medo de pessoas diferentes do seu pobre conceito de humanidade
- Precisa agredir quem discorde
- Enorme necessidade de andar armado
- Precisa provar que está sempre “pegando mulher”
Claro que existem outras características, mas essas são as mais óbvias ao meu ver e os maiores causadores de problemas sociais onde o opressor é tanto vítima quanto seus oprimidos.
Imagine o eterno sofrimento mental de uma pessoa que não pode exercer sua humanidade como sentimentos, gosto artístico, gosto esportivo, limite de opção de cores, bebidas, musica, sempre pressionado por si mesmo, vigiado, gritando, agredindo, triste, deprimido.
Como ex-machista percebo que existe há séculos terapias e atividades para o auto-controle masculino pelo auto-conhecimento como as artes marciais, meditação, desenvolvimento cultural e artístico, por consequência, intelectual.
Ao meu ver, machismo é uma doença mental, o lado violento da síndrome do pânico.