Sapiofobia: aversão aos cultos.

Ser inteligente sozinho ou ignorante junto dos outros?

A cena é clássica: os “descolados” da escola atacam o solitário estudante que carrega seu material escolar simplesmente por estar na escola e ir bem nas aulas e tirar boas notas. O objetivo não é o nocaute, é a “punição” pelo destaque positivo do aluno que não faz mais que se espera de alguém em uma escola mas poucos se questionam porquê esse ataque ao desempenho intelectual da pessoa é castigada e a estupidez, não.

O motivo é o mais óbvio possível: é mais fácil ser burro e ignorante do que o contrário pois não requer esforço ou atenção e ainda ganha aceitação popular dos iguais.

Mesmo sendo a inteligência algo natural no ser humano, se o discurso pejorativo da “criminalização” do destaque positivo pela intelectualidade individual for popular, qualquer pessoa após a pré-escola que mostrar progressivos avanços no campo intelectual em público será condenado ao bullying diante dos adeptos da mentalidade da maioria aliado à síndrome de Sólomon.

Retrocedendo alguns séculos, temos a nobreza e burguesia entretidas em desenvolvimento cultural através da literatura, pintura, poesia enquanto as classes baixas ficavam limitadas ao trabalho braçal e nesta diferença de classes a palavra ócio foi criminalizada como vagabundagem e o conhecimento e artes limitados à aristocracia e clero, fazendo o senso comum popular encarar negativamente os intelectuais que mesmo os que oriundam contemporaneamente das classes mais baixas são vistos como arrogantes ou presunçosos, creditando maior valor ao trabalho braçal do que o intelectual.

É normal classificarem os intelectuais como pessoas alienadas da realidade, vivendo em seus mundos de teoria e alguém se considerar “intelectual” como uma afronta aos outros que lutam para manter o nível cada vez mais baixo, talvez por sentirem-se inferiores aos que vivenciam a cultura humana.

E é nesta tentativa de manterem o nível sempre baixo que nascem e proliferam-se as pseudociências, esoterismo, astrologia, auto-ajuda e empreendedorismo místico e culmina na frase mais vergonhosa que se pode ter notícia: “você prefere ser feliz ou ter razão”.

Qualquer um tem intelecto, todos podemos ser intelectuais, negar a própria inteligência é negar grande parte de si mesmo e a essência da própria humanidade.