
Já faz um ano desde que o segundo turno das eleições presidenciais foi encerrado com a triste tragédia anunciada. A derrota do professor já era prevista, porém tantos tentaram desacreditar da possibilidade. Era de se esperar que o capitão inapto fosse eleito, principalmente após o encarceramento de seu maior opositor e da facada que até hoje deixa pulgas atrás das orelhas de muitas pessoas.
Para o bem ou para o mal, com Amazônia em chamas e o litoral nordestino coberto em manchas de óleo, o Brasil está desde Janeiro nas mãos indiscutivelmente inaptas de um governo bolsonarista. Não existe forma mais leve, ou mais bonitinha, de colocar essa questão. É inegável que, para parafrasear o próprio, o “Johnny Bravo ganhou”. Desse modo, é no mínimo curioso que tantos “maus perdedores” insistam, até hoje, num revanchismo (novamente é preciso recorrer a essa palavra) cheio de frases vazias e falsa nostalgia do “presidente professor” que o país não chegou a ter.
Seriam as coisas diferentes, caso o presidente fosse outro? Certamente! É a conclusão lógica a ser tomada. Mas as coisas são o que são, não aquilo que poderiam ser. Se internamente o país estaria melhor ou pior, a resposta reside apenas em nosso imaginário, ainda que seja difícil imaginar certas situações em condição pior do que a de atualmente. Talvez essas pessoas que dedicam seus dias a bradar aos quatro ventos que “nós poderíamos ter elegido o professor” tenham o livro “O Segredo” na cabeceira, mas no mundo real, a força do desejo não é suficiente para que as coisas aconteçam como nós desejamos. Não será chorando mágoas pelo resultado que não aconteceu que a situação do país mudará.
Mas seria bobagem esperar qualquer postura diferente de uma Esquerda que pensa que tuitaço é protesto; onde aqueles que se dizem mais radicais estão vivendo de reclamar para si a Greve Geral de 1917 ou, quando se decide ir ainda mais longe do contexto brasileiro atual, a glória da Revolução Russa. Infelizmente o progressismo brasileiro tenta caminhar para a frente enquanto olha por cima do ombro, tendo sonhos molhados com tudo aquilo que não viveu e, considerando a (in)capacidade de alguns de seus quadros de fazer o “famoso” trabalho de base, jamais irá viver.
Porque, enquanto algumas “estrelas” da Esquerda continuam a fazer discursos teóricos sem a união com a prática, ou certos “salvadores da pátria” continuam aprisionados até que a justiça comprada lhes faça, ironicamente, justiça, o país continua sendo vendido a preço de banana, isso quando não é “doado” em troca de valores simbólicos de pretensa contrapartida. Enquanto uma suposta massa intelectual se esconde atrás de livros e vídeos na internet, zombando infantilmente de qualquer um que não atinja os critérios de suas réguas morais, os pescadores e marisqueiros nordestinos continuam impossibilitados de ganhar seu sustento. Enquanto essa ou aquela sub-celebridade se reafirma em linhas revanchistas, os trabalhadores perdem mais direitos.
Não é pretendido, aqui, dizer que o conhecimento teórico deve ser deixado de lado, ou que a História não tem importância. Mas passou da hora de admitir que para agarrar o futuro com todas as unhas, é preciso largar aquele passado que nos inutiliza as mãos.
