Desabafo

Bem, estava aqui digitando o trabalho de português da faculdade e tive que o interromper por motivos internos. Peço-lhe desculpas, trabalho — e sim, sei que estou conversando com uma página em branco e com um trabalho que não vai me responder.

Mas, estou me culpando por ter que procrastinar a realização do mesmo e interromper meu raciocínio. Estou confusa, sofrendo por dentro e tamanha dor não aguenta mais estar presa em meu interior.

Me pergunto o que tem acontecido comigo nesses últimos meses da minha vida. Até agora não consegui uma resposta clara para isso. Vivo me questionando o porquê de sentir essa dor, esse vazio que cada vez mais toma conta do meu ser. Não falo mais do corpo em si, mas da alma. Minha psique está esgotada de mim e nem eu mesma aguento estar aqui neste plano — isso se existirem outros.

Então, encontro-me ouvindo horas e horas seguidas de músicas tristes, com playlists de 1/2h de bad. O que me faz questionar tal comportamento, visto que já não encontro-me em um estado lá muito bom. Por que sofrer ainda mais com músicas que só me colocam para baixo? Se não bastasse, flagro-me vasculhando alguns dos meus textos antigos que falam da minha dor em momentos que já não as suportava em meu âmago. Até mesmo textos aleatórios soltos por essa vasta rede que é a internet.

Isso tudo tem contribuido para que a dor cada vez mais cresça e o abismo em mim só aumente. O que posso eu fazer para isso mudar? Pedir ajuda já não é mais uma questão. Já o fiz e de nada adiantou.

Estou FARTA de mim mesma; farta de não saber quem sou ou o que quero ser. Farta de ter criado em minha mente o medo de machucar as pessoas, mesmo que elas me machuquem e tampouco se importem com isso. Como poderia eu, ser tão egoísta comigo mesma a ponto de criar em mim um escudo que fode a mim, para proteger o você. Como posso ser tão egoísta a ponto de deixar a minha dor em terceiro, quarto… enésimo plano só para agarrar a sua dor e ajudar-te a superá-la?

A psicóloga me orientou a pensar mais em mim, mas como o fazer se há tantas pessoas com problemas e em situações piores que a minha? Que tipo de monstro seria eu se deixasse qualquer indivíduo que me pede ajuda de lado apenas por possuir algumas confusões em meu mundo individual?

Que tipo de pessoa seria eu se continuasse a insistir em alguém que de longe/perto — depende apenas do referêncial; seria feliz longe de mim?

Cheia estou de viver assim. De existir por existir. Qual seria a minha função nesse mundo? Se eu menos eu conseguisse atingir os objetivos e conseguisse me concentrar num simples trabalho e não decepcionar as pessoas com as minhas lamúrias. Perdão professora, perdão amigos; não sinto mais vontade de existir por existir.

Agora, sentada nesta cadeira branca de ferro, em frente a este computador, sinto-me anestesiada da vida. Das pessoas. Peço desculpas a minha mãe por não conseguir abrir-me com ela e mostrar o quão torturosa tem sido minha vida. Não falo dela em meio ao externo. Refiro-me ao interno. Ao mundo em que um amigo uma vez disse que existia dentro de mim. Acho que esse mundo morreu antes mesmo de nascer.

Padeço-me num mundo totalmente dark e grito, mas grito para mim. Não preciso ser egoísta a ponto de estragar o momento de ninguém. GRITO por liberdade; GRITO por mais uma chance. Não quero ser mais um dos inúmeros casos suícidas e não quero mais tais pensamentos em minha cabeça.

Quero dar-me mais uma chance de vida, entretanto, quero afastar-me de tudo que faça-me machucá-los. Tenho um coração que sofre com a dor alheia, tanto quanto sofre com a própria. Desta forma, preciso de um recomeço só meu. Em outra vida talvez?


Se for para apenas existir, que minha existência deixe-me partir.
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