Parasitismo.

Hoje escrevo a ti que ajudou-me a constituir este ser, que agora está pela metade. A tua partida fez com que algo em mim fosse dilacerado, uma reciprocidade tão idealizada entre nós foi destruída e deixada ao relento, assim como o amor e a amizade que construímos, estes foram apedrejados até a (quase) morte.

Confesso que mesmo com toda a saudade que sinto de ti, sinto-me mais leve sem o peso das tuas responsabilidades, sim, aquelas tão tuas, que você em busca de alívio, transferiu para mim. Eu, que não tinha que carregar teu fardo, fui acometida do que a biologia chama de parasitismo, mas tu, erroneamente, insistia em nomear de simbiose. De harmônica a nossa relação não tinha nada, dentro de um ciclo vicioso de segurar as tuas culpas e apagar os teus incêndios eu me perdi, adoeci e morri incontáveis vezes.

Aqui e agora de peito aberto lhe digo que ainda te amo e terei um carinho imenso por ti, mas o prazer de ser livre, arcar somente com o que é meu e poder assumir apenas os erros que eu mesma cometi é impagável. Os teus segredos guardarei todos, junto com nossas recordações, serão sempre nossos aqueles momentos e (agora) teus somente teus os medos, as incertezas e responsabilidades. Entrego-te todo e qualquer peso que tomei dos teus braços por amor, estão aqui também os embaraços que você apenas jogou no meu colo sem que eu pudesse ao menos respirar.

Seja feliz, completa e procure resolver os teus problemas, os pessoais e os interpessoais, eu acredito que você consiga. Não deixe que outra pessoa tome meu lugar de burro de carga! Passe a trazer tuas malas sozinha pela estrada da vida e aqui termino com todo carinho lhe dando os últimos conselhos: busque solução para os problemas, carregue menos malas e não as transfira para terceiros.


O amor respira com ajuda de aparelhos, já a amizade teve uma morte cerebral.