A internet precisa sair da internet

Tudo bem, vou explicar.

Os resultados do segundo turno estão aí. Nem preciso dizer que deu merda, né? Vida que segue. Então segura que vou jogar umas verdades.

Acredito fielmente que você não é da turma bolsomito. Se for, foda-se. Continue lendo, talvez aprenda alguma coisa e mude de ideia quanto a tudo que vem fazendo até agora na sua vidinha escrota (mentira, acredito que sua alma já está perdida num loop infinito de merda).

Enfim, voltando. Você é da paz, desconstruído, cercado de amigos maneiros — que você nem conhece pessoalmente, mas são gente fina — que compartilham mil tretas sobre vários assuntos de relevo. Sim, você acha política um bagulho importante e que precisa ser debatido.

Se rolasse uma eleição na sua página do Facebook, só entre os teus parças, o BR estaria numa boa. Sério. Nem precisaria de segundo turno. E é aqui que a realidade começa a encher o saco: o mundo lá fora é uma selva. Geral andando e cagando para tudo (inclusive para você).

Quando o resultado aparece, você se pergunta: “Mas que diabos esse povo tem de errado?”. Burrice generalizada. Anomia. Sociedade doente. Tanto faz. “Que porra é essa?”. É a vida, amigo. Batendo na nossa cara sem delicadeza. Fodendo a gente sem pedir licença.

A internet precisa sair da internet. E não estou (apenas) fazendo uma crítica ao ativismo de sofá. Existe sim uma força enorme da internet no cenário político. A sociedade do compartilhamento tem potência revolucionária. Mas é preciso sair para tomar um ar de vez em quando. Ver como é que a treta está evoluindo em locais desprovidos de Wi-Fi.

Conversar com as tias, sim. Com a mãe, o pai, o vizinho. Essa turma careta que você classifica como “casos perdidos” (colocando o meu na reta: o bolsomito). É furar buraco n’água? Talvez. Mas esse povo todo vota, parça. É preciso, no mínimo, entender como surgem, onde moram e o que fazem.

Além disso, os espaços desconstruídos dentro da internet (a sua página no Facebook, por exemplo), devem estar abertos para gente que não é tão desconstruída assim.

Aquela coisa de sair da bolha. Toda bolha é ruim. Se a sua turminha politicamente engajada não entra em contato com outras pessoinhas para transmitir a palavra, você vive numa bolha. Uma bolha linda, não fosse o fato de que o resto do mundo também participa das escolhas políticas.

E que bom que participa! Democracia é isso.