Foto: Pedro Freisleben

Roube como um artista: conheça o arquivo de furtos

Valter Junior
Feb 1, 2016 · 4 min read

Quando idealizei o NMDI (No Mundo das Ideias) e comecei a pensar na linha editorial e nas categorias que fariam parte do projeto, o arquivo de furtos surgiu quase que instantaneamente na minha cabeça.

Eureka! Falar sobre o arquivo de furtos é falar também sobre o No Mundo das Ideias, que surge num contexto específico, fruto de anos e anos de muita leitura, investigação e aprendizado. Uma trajetória de bons roubos.

Poetas imaturos imitam, poetas maduros roubam; poetas ruins desfiguram o que pegam e poetas bons transformam em algo melhor, ou pelo menos diferente. O bom poeta amalgama o seu furto a um conjunto sensível que é único, completamente diferente daquele de onde foi removido — T. S. Eliot

Mas que diabos é um arquivo de furtos?

O conceito foi roubado do livro “Roube como um artista”, do Austin Kleon, onde o autor dá dez grandes dicas para despertar a criatividade. Um livro pequeno, de fácil leitura e ilustrado. Não apenas para escritores ou arquitetos ou designers, mas para todos que sentem vontade de criar — criatividade não é um dom.

Aqui estão elas:

1Roube como um artista;

2 — Não espere até saber quem você é para começar;

3 — Escreva o livro que você quer ler;

4 — Use suas mãos;

5 — Projetos paralelos e hobbies são importantes;

6 — O segredo: Faça um bom trabalho e compartilhe-o com as pessoas;

7 — A geografia não manda mais em nós;

8 — Seja legal (o mundo é uma cidade pequena);

9 — Seja chato (é a única maneira de terminar um trabalho);

10 — Criatividade é subtração.

Ser criativo não é nada fácil quando tentamos fazer algo completamente do zero, sem nenhum parâmetro ou fonte de inspiração. Tal como Austin Kleon, acredito que nada no mundo seja original.

E isso não significa que não podemos alterar a realidade, mas que todo processo criativo aproveita o que já está aí, no mundo das ideias. Como se o planeta fosse um laboratório global. O método: tentativa e erro.

Não é nada esperto repetir os erros do passado, por isso você deve roubar de outras pessoas.

Para não perder ou deixar os seus furtos amontoados por aí, você pode criar um arquivo e organizar as coisas. Isso facilita muito na hora de procurar aquele texto que você tanto gostou ou uma foto que se encaixa perfeitamente bem em um dos seus projetos, por exemplo.

Cada arquivo de furtos é único. Se você for um escritor, poderá carregar sempre um caderno e uma caneta para anotar ideias interessantes que encontrar por aí, como trechos de livros, versos de música, nomes de artistas. Um arquivo virtual pode simplificar muito a sua vida, permitindo guardar links, imagens, documentos e uma série de outros pequenos furtos.

O Evernote permite fazer isso muito bem.

Roubar é uma arte, então você não pode sai por aí copiando e colando como um louco. Use o arquivo de furtos para guardar apenas ideias que possam servir para alguma coisa no futuro. Ideias que você possa transformar em algo novo e honrar o artista de quem você roubou.

Se nada no mundo é original, não há motivos para continuar batendo com a cabeça na parede. Comece a roubar.

Independente do que você faça, faça como um artista.

Nada vem do nada. Nada é 100% original. Mas cuidado: roubar e plagiar não são a mesma coisa. O roubo valoriza o trabalho de alguém, enquanto o plágio desonra. Você não vai querer repetir o trabalho de um artista, nem fazer parecer sua a ideia de outra pessoa. Mas ideias são vivas e se transformam naturalmente. Se tiverem um empurrãozinho então, ideias vão longe.

Faça um teste: desenhe duas linhas paralelas. Quantas linhas você pode ver? Temos a primeira linha, a segunda linha e também a linha de não-espaço entre elas.

E, quando for roubar, “não se limite a roubar o estilo, roube o pensamento por trás do estilo. Você não quer parecer os seus heróis, você quer enxergar como eles”.

Fomos crianças sem pais… então encontramos nossos pais nos discos, nas ruas e na história. Tivemos que pegar e escolher os ancestrais que inspirariam o mundo que construiríamos para nós mesmos. – Jay Z.

O NMDI manterá seu arquivo de furtos sempre acessível. Por aqui compartilharemos ideias, artistas e projetos que possam influenciar a nossa forma de fazer arte e de enxergar o mundo. Todas as imagens utilizadas nesta matéria são reproduções do livro Roube como um artista, do Austin Kleon, que aparecerá outras vezes No Mundo das Ideias.

Valter Junior

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Nem a mãe lê.

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