Perdendo o voo em Las Vegas
Viagem de Lua de Mel. Talvez, de todas as viagens que já tenhamos feito juntos, a mais esperada de todas por ser aquela que premiava a nossa tão esperada união matrimonial.
Desde o início da viagem, havíamos passado por San Diego, Los Angeles e chegávamos ao nosso último e mais esperado destino programado — Las Vegas.
A cidade americana dos cassinos, dos shows, das apostas. A cidade do entretenimento que nunca mais foi a mesma após a chegada do lendário Elvis Presley. Inclusive, ao chegarmos à cidade, escolhemos uma rádio que tocava somente Elvis, como se fosse um ritual para dar sorte, como se estivéssemos chegando com o pé direito.
Estávamos tão animados que logo após fazer check-in no hotel, fomos comprar os ingressos para o Cirque Du Soleil. Escolhemos comprar para a última noite da viagem. Ou melhor, achávamos que aquela seria a última.
Tudo ocorreu como planejado nos dias que estivemos na cidade, fomos às festas, perdemos dinheiro jogando, fizemos compras… a viagem se encaminhava ao fim e tudo havia sido perfeito.
Em nossa última noite, fomos dormir sabendo que deveríamos acordar e arrumar as malas, pois teríamos algumas atividades durante o dia e após o show do Cirque Du Soleil à noite, deveríamos retornar ao hotel, pegar as bagagens e ir diretamente ao aeroporto porque nosso voo seria de madrugada.
Por algum motivo, pulei da cama antes do despertador (algo inusitado para mim) e fui correndo checar as passagens. Minha desconfiança estava correta. Havíamos perdido o voo que estava programado para a madrugada daquele dia e não do seguinte como achávamos. Desespero!!! Não sabíamos o que fazer, até mesmo porque nunca havíamos passado por aquilo. Ligamos para a companhia aérea e fomos informados que deveríamos comprar novas passagens de volta e que custaria exatamente o mesmo que havíamos investido nas duas (ida e volta). Fora de cogitação!! Quem já casou sabe o quanto custa uma festa, certo? Comida, banda, convite, roupa, etc, etc, etc, etc. Além disso, ainda estávamos montando nosso tão sonhado lar – móveis, pedreiros, utensílios domésticos, etc, etc, etc, etc.. Resumindo, estávamos meio que “duros” e não poderíamos ter esse gasto extra naquele momento.
Após muitas ligações para diversas pessoas, falamos com uma prima que é dona de uma agência de viagens, e que nos sugeriu que fossemos ao aeroporto e alegássemos ter perdido o voo por motivo de doença.
Mesmo sabendo das dificuldades que teríamos, decidimos pagar a diária extra no hotel e seguir o dia como o planejado. Fácil falar, difícil fazer. Como se divertir sem ter a certeza de quando e quanto custará a volta para casa?
Na manhã seguinte, acordamos e decidimos seguir o conselho recebido e fomos ao aeroporto dispostos a convencer algum funcionário da companhia aérea que a Patricia estava doente e que precisávamos embarcar imediatamente. Para ajudar no teatro, ela decide vestir uma jaqueta. Isso mesmo, uma jaqueta. Não mencionei anteriormente, mas essa viagem aconteceu durante o verão, ou seja, durante o dia enfrentávamos uma temperatura média de 40 graus celsius.
Após 30 minutos de conversa com uma funcionária, percebo que ela está relutante e que não vai me ajudar independentemente do argumento que utilizar, então tenho a ideia que, naquele momento, parecia ser a solução para o meu problema — pedir para falar com sua supervisora, e torcer para que seja uma pessoa mais sensível do que aquela que tratava comigo. Porém, antes de responder, ela me encara por alguns segundos e finalmente responde com um tom de repúdio e satisfação: EU SOU A SUPERVISORA!!!!
Nesse momento, sei que ou pago o valor que ela está me informando ou não voltaremos para casa.
Respiro fundo!!! 1 minuto de silêncio!!! Chamo a Patricia para o balcão para que me ajude na argumentação, e é quando ela se mostra uma excelente atriz. Mais alguns minutos de conversa e a supervisora acreditou tanto em sua encenação que mostrou uma preocupação em deixá-la voar pelo seu estado de saúde.
Explicamos que o caso não é tão sério a ponto de não podermos voar, mas que precisamos voltar, e finalmente a funcionária aceita nos colocar no próximo voo pagando apenas uma taxa que não chegava a 5% do valor inicialmente cobrado.
Após uma parada em Houston, finalmente chegávamos em casa de nossa viagem de lua de mel com algumas histórias na bagagem e com o cartão de crédito menos “estourado” do que os funcionários da companhia aérea me fizeram imaginar.
E tudo isso me faz lembrar que viajar é maravilhoso mas voltar para casa depois de um tempo fora é melhor ainda.
Leia mais: http://umcasalviajante.webnode.com/cronicas/