2015: o que fica e o que vai comigo
Nenhum outro clichê poderia definir melhor o meu estado de espírito nesta reta final de 2015: eu me sinto uma sobrevivente. Estou esgotada, com os joelhos ralados (levei um tombo no Natal), aquele 99% desmaiada e 1% acordada depois de um ano difícil e doloroso. Mas, se você me olhar com atenção, vai perceber que ainda assim estou sorrindo e balançando os bracinhos e ombrinhos num ritmo animado e duvidoso.

Isso porque apesar da cris… Apesar de tudo, levo comigo boas lições na mala que estou preparando para 2016.
Em 2015 a saúde foi meu ponto fraco. Estive doente de junho a meados de dezembro. Recuperar a saúde foi o melhor presente de Natal que eu poderia ter recebido, mas isso não apaga a sensação de que perdi meses em consultas, exames, remédios e dificuldades para sair de casa. Quero deixar em 2015 a sensação de que arrancaram o doce da minha boca. Não adianta lamentar pelo que eu poderia ter vivido se estivesse saudável. O que importa é que estou saudável agora e que me descobri ainda mais forte e mais corajosa.
Ainda no campo do corpo e da saúde, resolvi procurar uma nutricionista para modificar minha alimentação. Eu quase não reconheço mais minha geladeira. Pensando bem, eu já quase não reconheço mais meu corpo. Não está sendo fácil, mas está sendo divertido. Eu adoro um bom desafio e se o prêmio for saúde e disposição, putz, aí fico empolgada mesmo. Deixo em 2015 muitas latinhas de refrigerante, frituras e doces que só fingiam amenizar minha ansiedade.
De certa maneira, me relacionar com as pessoas foi mais fácil em 2015. Ok, continuei exigente, implacável, cometendo um sincericídio por dia (inclusive ótima sugestão para livros interativos) e, no melhor estilo Lorelai Gilmore, fui muuuuito flexível:

Ainda assim, procurei resolver os conflitos com mais sabedoria e menos rancor. Sim, eu me descobri menos rancorosa este ano. Ainda não sei quais serão os efeitos disso a longo prazo, mas já me sinto mais leve. O rancor ficará em 2015.
Este foi meu segundo ano de mestrado, o ano de focar na escrita da dissertação e de enfrentar o exame de qualificação (o melhor momento do meu ano por sinal). Sempre duvidei das minhas capacidades e possibilidades na vida acadêmica. Pra ser sincera, nunca fui muito confiante na vida de modo geral. Porém, as recentes alegrias acadêmicas estão me fazendo acreditar que sou razoavelmente boa no que faço. Isso eu levo comigo em 2016, também conhecido como o temido ano da defesa no mestrado.
Neste ano em que tanto se falou sobre feminismo na mídia, eu me senti ainda mais confortável como mulher negra feminista. Estou nesse caminho desde 2011 e é surpreendente usar a palavra “confortável” se tudo o que o feminismo fez foi sacudir o meu chão até me deixar em dúvida sobre estar dando passos com os pés ou com a cabeça. Vai ver encontrei conforto no raio problematizador. Aprendi demais e quero continuar aprendendo.
Foi um ano de leituras incríveis. Foi o ano de ler mais mulheres.

Viajei com Chimamanda para a Nigéria (mais de uma vez), amei e odiei Harper Lee, perdi o fôlego com Alice Munro, comecei a construir meu teto com a ajuda de Virginia Woolf. Não tem mala suficiente pra tanto livro bom!
Mas nem tudo o que vou levar para 2016 é positivo. Tenho tantas perguntas, tanto medo (medo de sentir, medo de arriscar, medo de nunca encontrar respostas), tantos incômodos, tanto por resolver. Tudo bem. Não é porque estou carregando uma mala pesada que 2016 vai ser um ano de férias. Tenho muito trabalho pela frente. Aposto que você terá também.