Para minha leitora.

O Beijo, Gustav Klint

Sei que provavelmente não lerá minha dedicatória. Você que me leu tanto no tempo em que vivemos, não me julgou pela capa e mostrou que um bom livro não se resume a um final feliz.

O término de uma boa leitura traz um sentimento melancólico de saudade. Apesar de tudo, espero ter sido digno de teu tempo, amor e afago. Já não penso mais em escrever ou mandar cartas, porque as cartas que escrevo são como um capítulo que te entristece, assim como um dia foi a distância que separava o livro da ávida leitora. Lembro sua incerteza na introdução, da sua curiosidade no sumário, e uma alegria contagiante nos capítulos que ali seguiam. As aventuras de anti-heróis com barbas e machados, romances adolescentes com figuras de quadrinhos, professores ousados e a psicologia dos delitos de uma nostálgica época.

Sei que o final não te agradou, infelizmente, nem todo livro tem um bom escritor por trás. Peço desculpas pela falta de habilidade com a caneta e agradeço por ter me lido com tanto entusiasmo e paixão, espero encontrar-te em pensamentos de carinho. Chegou a hora de você me colocar em sua prateleira, minha leitora, para que eu possa descansar tranquilo enquanto sei que você se diverte lendo outros livros.

Leia, coisinha. A vida não se resume a uma crônica mal concluída.