The Night Of, a série que tornou agosto um mês muito mais legal pra mim.

É impossível, pelo menos pra mim, comentar uma série dramática da HBO sem lembrar antes de Sopranos, The Wire e True Detective. Os últimos lançamentos da gigantesca emissora de TV, como Game Of Thrones, que apesar de um investimento surreal na parte técnica, peca rudemente no roteiro e Vinyl, que teve um início excelente, mas não foi renovada para uma segunda temporada, me deixam um pouco apreensivo quando algo novo surge.

Imagine que James Gandolfini, o cara que revolucionou a TV desde que interpretou Tony Soprano, idealiza uma série com Richard Price, um dos roteiristas de The Wire e Stevan Zaillian, que assina o roteiro de Schindler’s List e Gangs of New York. Surge The Night Of.

A história contada aqui, é a de Nazir Khan, que aparentemente cometeu um assassinato e mesmo sendo pego quase em um flagrante, escolhe ser julgado para provar sua inocência.

Há diversas atuações de destaque, como as de John Turturro, que teve a difícil tarefa de substituir James Gandolfini, devido ao seu infeliz falecimento e Amara Karan, que interpreta a indubitável advogada Chandra.

É notável a mão de Richard Price ao contar uma história de assassinato e investigação que foge do clichê de policiais heroicos e serial killers geniais. Há uma dose de realismo absurda em The Night Of, que ligada a um design de som fantástico e planos fechados, tornam a série inquietante do início ao fim, trazendo uma desconfortável sensação de empatia com diversos personagens apresentados, além dos questionamentos sobre a justiça e o que parece óbvio.

Enfim, pra quem curte uma história de investigação que foge do comum e flerta com o realismo, trazendo temas como o preconceito aos muçulmanos, o legalismo e o sistema prisional, diferente desse negócio de CSI ou Law and Order, recomendo fortemente The Night Of.