A Persistência Encurralada

“To be vulnerable is needed most of all

If you intend to truly fall apart” -The Vampyre of Time and Memory

Há coisas que, queiramos ou não, voltarão a acontecer.

Em muitos casos, nunca existiu progresso de verdade:

Acreditamos em rompimentos felizes de sonhos momentâneos

Apenas para ver, de manhã, a pedra rolar para baixo novamente.

Se Sísifo cantasse enquanto empurra a pedra morro acima

E, como que desesperado, tentasse roubar da infelicidade alguma beleza

(Beleza ou significado, porque sempre confundo essas coisas)

Seria ele definitivamente um poeta,

Ainda que assim fosse feliz.

Sísifo, ao menos, tinha uma pedra e deuses que o castigaram.

Há quem tenha apenas fracassos

Que, mesmo sepultados, insistem em se levantar e vir bater às portas da sala.

Há quem ignore seus fracassos

E veja, uma a uma, suas ilusões caírem apenas por serem doces.

A Vida não perdoa certas canduras.

Ainda assim, persisto por alguma razão em acreditá-las.

A esperança me trouxe um fantasma

Que (só eu não o vi) se deu por vencido desde o começo.

Ignorando a tudo, continuei a persegui-lo como sempre persegui o calor de um sorriso.

Hoje, cada uma das interjeições saída daquela boca

É um “why?” que grito aos travesseiros quando me deito.

Mas meus sonhos não trazem resposta alguma

Mostram-me somente o que poderia ter sido,

Não houvesse um vampiro em suas memórias

Em seus sussurros, ouço nada além de uma curta mensagem,

Transmitida em silêncio entre agradecimentos por meu sangue

“A ilusão que sentes é real.”