Kodak & Lomo


A Kodak fez mesmo tudo errado. Logo ela, que desde o nome pensado estrategicamente para ser forte, fácil de se lembrar e igualmente pronunciado em qualquer idioma, fora em seu início um dos empreendimentos mais bem trabalhados no campo do marketing. O clássico slogan “You press the button, we do rest” é lembrado até hoje pela genialidade.

Curioso como nem mesmo na área analógica, seu ponto forte, a empresa conseguiu manter-se muito firme, ainda que haja público para isso nos dias de hoje. Há toda uma comunidade de fotógrafos no mundo que prefere a estética proporcionada pelo filme e, ao invés de abandoná-la, reinventam-na em novas câmeras, filmes e acessórios. Não são exatamente saudosistas, mas sim interessados no resultado que só os processos químicos de revelação dão à imagem.

É um nicho que podia ser aproveitado financeiramente. Foi o que fez a Lomography, marca de câmeras e acessórios analógicos que também dá nome à comunidade que prefere o uso de filme. É claro que as máquinas Lomo não são para todo mundo e nem pretendem ser um produto de massa, como as antigas câmeras da Kodak. Ainda sim, é curioso notar como a empresa de Eastman, ao ver seu império ruindo e ainda sim ignorando o digital, não conseguiu ter sucesso nem mesmo no nicho que ajudara a criar. Não é preciso muito para entender o porquê. Basta olhar para uma Diana F+, seu estilo cool e apelo estético que propõe todo um charme, para compreender porque a Lomo deu certo.

Hoje, com a popularidade do Instagram, seus filtros retrô e todos os apps semelhantes, a Lomography, que tem esse mesmo apelo, segue anunciando novos lançamentos e ganhando mais adeptos. Enquanto isso, a Kodak amarga o triste esvaziamento daqueles em que ela mesmo preferiu investir, quando tudo dizia para apostar no futuro.

Victor Calcagno, Revista Poleiro