Documentário: Quanto tempo o tempo tem (2015)

Uma verdadeira e profunda viagem no tempo

Foi uma surpresa boa me deparar com o documentário Quanto tempo o tempo tem (Adriana Dutra, 2015) nas sugestões da Netflix. A discussão sobre essa questão do tempo já é particularmente interessante, e mais legal ainda foi descobrir que era uma produção brasileira.

O que conduz esse documentário de 1h15min é aquela dúvida que já atormentou muita gente (ou todo mundo?): de onde vem essa sensação de que não temos tempo para nada e que vivemos sempre correndo?

Para responder, a equipe entrevistou jornalistas, pesquisadores em cibercultura (gostei dessa parte), filósofos, sociólogos, psiquiatras, físicos (como Marcelo Gleiser, do Poeira das Estrelas do Fantástico e dos muitos livros), neurocientistas, escritores, religiosos (como a Monja Coen, figurinha carimbada nessas discussões) e muitos outros estudiosos das mais diversas áreas do conhecimento.

Partindo de quando a humanidade não era capaz de medir o tempo, até o momento em que ele se torna força produtiva, o documentário se encaminha para uma discussão bastante atual: o excesso de informação do mundo, boa parte disso espalhado pelos meios de comunicação. Até que ponto é útil? E o quanto isso interfere em nossa percepção temporal?

Tendo o tempo todo o tempo como fio condutor, o debate vai se ampliando para a questão de como a tecnologia converteu tudo em códigos binários (inclusive e especialmente aspectos físicos e biológicos) e o quanto isso é capaz de alterar nossa relação com a temporalidade. O rumo dessa conversa pode impressionar bastante gente…

Parando por aqui para não estragar a surpresa, mas Quanto tempo o tempo tem é uma dica legal para quem gosta dessas produções que lidam com as consequências das tecnologias na nossa vida prática e cotidiana — e a Netflix tem várias opções nessa área, desde filmes como Her e Jobs até documentários como esse, a biografia de Steve Jobs produzida pela BBC e o longo Eis os Delírios do Mundo Conectado (que vai fundo nas origens e consequências da internet na sociedade, assunto para outro post).