A intensidade de viver duas paixões

Um texto sobre uma pessoa que escolheu mergulhar de cabeça na vida

Foto: Jordan Silva

Alice (17/05/2017) tem hoje um mês de vida, e o que mais ouvi nesse tempo foi: o que é ser mãe?
Posso falar de amor, de força, de amadurecimento, de crescimento e de muito aprendizado. 
Mas, comecemos pelo clichê favorito, o amor.
Eu tenho duas grandes paixões: a Alice e o jornalismo. A história de como os dois chegaram de repente na minha vida é bem parecida.
No segundo período da faculdade pensava em cursar publicidade, porém, conheci um projeto formado por jovens que dialogavam sobre mobilidade, cidade e sustentabilidade que representou um marco na minha vida. Uma das maneiras de compartilhar as ideias construídas no grupo era em forma de vídeos nas redes sociais e TV’s dos ônibus da cidade do Rio de Janeiro. O diferencial desses vídeos era a metodologia (que é o tema do meu trabalho de conclusão de curso). Me encantei e entrei com tudo. Logo conheci duas jornalistas incríveis que são exemplos até hoje e que sempre serei grata por cruzarem minha caminhada. 
Esse projeto virava meu vício. Pela primeira vez encontrei algo que fazia minha vida ter sentido: trabalhar em prol do bem comum, despertando o melhor das pessoas e em conjunto com seres humanos brilhantes. Era muita sinceridade e amor envolvido. Em paralelo comecei a mergulhar no universo de uma das jornalistas que falei acima. A história e missão de vida dela se tornaram a minha maior inspiração. Daí o jornalismo me escolheu. Quando me dei conta já era parte de mim.
Depois de seis períodos vivendo intensamente a faculdade e as diferentes experiências de trabalho, congressos, viagens, troca e atividades extras… tô grávida! E agora?
Será que nesse coração preenchido de paixão pelo que escolhi fazer da vida cabe alguém? E na rotina de trabalho de domingo a domingo, será que cabe alguém? E meus pais que apostam, acompanham e incentivam meus sonhos profissionais, será que vão entender? E a jornalista que plantou essa sementinha em mim, será que ainda vai escolher regá-la? E o namorado, será que vamos ficar juntos e conseguiremos criar uma cidadã crítica, educada, respeitosa, batalhadora, empoderada e engajada? E o trabalho? vão me demitir com certeza!
Percebi o quanto sou egoísta. Como pensei só em mim enquanto o meu corpo já estava gerando um novo ser com muito amor.
Alice já era parte da minha vida e minha missão passara a ser conciliar minhas duas grandes paixões.
Passo a passo tudo foi se ajeitando. Se já me sentia amada antes, consegui sentir mais e mais. Cada uma das pessoas que pus em dúvida se continuariam ao meu lado se mostraram mais próximas que nunca, e outras que o destino separou, a Alice trouxe de volta. 
Claro que não foi fácil e que a gravidez envolveu muitos desafios e pré conceitos.
Foram muitos olhares tortos, comentários baixinhos e julgamentos, porém, com apoio da faculdade, em especial de alguns professores, da família, principalmente meus pais e irmão, namorado e amigos, atualmente estou a seis meses de pegar meu diploma, e só me sinto mais determinada, focada e disposta a continuar exercendo o jornalismo que acredito. Os sonhos continuam grandiosos fazendo meus olhos brilharem e meu coração pulsar forte.
Então posso dizer: ser mãe é redefinir prioridades. Quando nasce um novo ser percebe-se que a vida é muito maior que nossas ambições. Sou grata a tudo que o destino traçou para mim, não teria planejado nada melhor. Sorte a minha ser mãe aos 21 e poder enxergar no mundo cada vez mais as oportunidades de ser e não ter
Nessa pequena jornada como jornalista aprendi sobre a filosofia africana “Ubuntu” — eu sou porque nós somos — e nunca fez tanto sentido. Eu preciso ser por inteiro e com intensidade tudo que quero ser para que Alice sempre tenha certeza de que ela pode ser quem quiser ser. Assim, caminharemos juntas e eu me sinto completa.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Victoria Roza’s story.