A humanidade é desumana (?)

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Considere uma pessoa boa. E por pessoa boa não estou falando daquela pessoa que não comete crimes ou qualquer outro ato que por ação ou omissão faz dela mera cumpridora das leis etc. Falo daquela pessoa verdadeiramente boa que hora ou outra até nos irrita com sua bondade e humanidade.

Uma pessoa que mesmo tomando duros golpes da vida continua ali, sendo boa. Uma pessoa que não vê motivos para deixar de ser o que é mesmo com um mundo cheio de merda e maldade ao seu redor.

Enfim, uma pessoa que pratica grandes atos de humanidade independente de qualquer experiência ruim anterior.

Crescemos ouvindo que o “bonzinho só se fode” (não gosto muito dessa frase, MAS…), crescemos vendo, presenciando e vivendo essa máxima; então por que continuar sendo bom?

A questão aqui é: não existe uma força, um sentimento que puxe essas pessoas no sentido da desistência? Do cansaço? Na falta de sentido em ser tão humano?

Como não se “contaminar” como o restante das pessoas?

Como ser incondicionalmente bom com gente que te fez/faz mal? Abrir mão da raiva, rancor, desejo de vingança e orgulho TODA VEZ que necessário, não se permitir sentir sentimentos tão humanos.

É como abrir mão da “humanidade individual” em troca de uma “humanidade de coletivo”, sem cessar, ainda com demonstrações de que nem sempre isso vale a pena. Pior: pouco se importar se isso vale a pena!

Não seria então necessário perder um pouco da humanidade dentro de si mesmo para conseguir continuar praticando grandes atos de humanidade “ad infinitum”?

É como se perder parte de sua humanidade, pelo menos apenas o suficiente dela, fizesse o indivíduo ser um humano de forma sobre-humana.

O quão doido isso é!

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