Meu negócio tem perfil para franquear?

Com o sucesso alcançado pelo franchising no Brasil, e seus seguidos resultados positivos, com índices que ano a ano superam a média nacional, é muito comum que empresários enxerguem no segmento uma saída para expansão da marca.

Dia desses, recebi em meu escritório a visita de um rapaz de pouco mais 20 anos, solicitando algumas informações sobre franquias. Explicou-me ele, que o pai possuía um restaurante tipo fast food, especializado em pescados. O negócio já existia há alguns anos, e o movimento da casa era muito forte. Os pratos e o atendimento eram muito elogiados, e frequentemente ouviam de clientes e amigos, que deveriam franquear o negócio.

Questionou-me a respeito de quanto poderia cobrar de Taxa de Franquia e de Royalties, e se minha empresa mesmo poderia comercializar essas franquias. Fiz-lhe algumas perguntas para saber mais sobre o negócio, mas ele pouco respondeu, uma vez que quem possuía informações sobre o negócio era o pai. Pedi-lhe então que pedisse ao pai para que viesse conversar comigo, e ele me deu a seguinte resposta:

“Só se for de domingo, porque durante a semana ele trabalha da 8h da manhã até meia noite, e o restaurante sem ele não funciona.”

É até louvável a ideia de muitos empresários de franquear seu método, produto ou serviço. Porém, existem vários outros fatores a serem considerados antes de se penetrar num mercado tão competitivo e profissionalizado como o franchising.

No caso relatado acima, o negócio carece de quase todos os requisitos desejáveis e indispensáveis para se tornar uma franquia de sucesso, a não ser suas deliciosas receitas, que por sinal não são exclusivas. 
 
Que produto ou serviço pode ser franqueado?
A ideia essencial de um sistema de franquia é oferecer um produto ou serviço ao consumidor final. Esse produto ou serviço, deve trazer agregado a existência de um diferencial, seja este determinado pela competência ou pela exclusividade. Uma marca forte é um facilitador considerável. É importante analisar se esse produto ou serviço pode ser replicado e se existe demanda no mercado para o mesmo. Sem esses quesitos , não há franquia, uma vez que o candidato poderá ele próprio, montar o mesmo negócio de forma independente. Por exemplo: “O que leva um empreendedor a investir um alto capital na compra de bandeira e instalação de um Mc Donalds, uma vez que ele mesmo poderia montar seu próprio restaurante independente, e oferecer produtos similares ao Mc Donalds? Todos os diferenciais que envolvem essa marca que é a maior franqueadora do mundo.”

Experiência anterior conta?
Experiência positiva em uma operação própria conta muito no sucesso do negócio. É recomendável que o franqueador possua unidades próprias, como piloto, ao menos no início da operação. Essas unidades serão o termômetro do negócio. Elas darão a resposta ao franqueador sobre a viabilidade do negócio.

Os franqueadores que se arriscam nesse mercado sem a experiência de unidades piloto, cedo ou tarde serão obrigados a administrar problemas com a rede, uma vez que não possuem o feedback do cliente, não conseguem manter empatia com o consumidor final.
 
Qual a importância do padrão?
O padrão de uma franquia, é sua assinatura, é a forma com que o consumidor final identifica o negócio. E quando falamos em padrão não nos referimos unicamente ao visual externo da unidade, mas sim, ao padrão propriamente dito, em todos os procedimentos. Mais uma vez utilizando-se o Mc Donalds como exemplo, sabemos que o lanche que é servido em São Paulo, mantem o mesmo sabor e as mesmas características do lanche consumido em Toronto ou em Hong Kong.
 
Suporte Operacional:
O franqueador de sucesso deve dispor um quadro de pessoal para atender aos seus franqueados. É imprescindível que os franqueados da rede recebam da franqueadora apoio logístico, administrativo, financeiro e comercial. O treinamento na operação em si, o padrão de atendimento, a identidade visual, a satisfação do cliente final,tudo isso faz parte da rotina de um sistema de franquias. E deve ser constantemente acompanhado pelo franqueador. Isso determina que sua rede está conseguindo replicar todo o conceito que fez daquela marca um sucesso.

No início das atividades do franqueador, sua equipe de suporte pode ser enxuta, normalmente formada por funcionários experientes, que possuam amplo conhecimento de todo o processo.

Mas com o crescimento da rede, ter uma equipe de consultores de campo, especializados é inevitável e principalmente um executivo que possua conhecimento e habilidades sobre o setor para gerar informações estratégicas e de formatação do negócio.