#246 Coiote

Quando iniciei o curso de filosofia, pensei que a última coisa que veria no meu cotidiano seriam números fórmulas e tals, parte de mim tentava dizer da melhor forma possível, não quero mais ver números, não quero ver, mas bem, a minha vida não é controlada por mim, pelo menos não totalmente.
Mas talvez eu saber que já fazem dois meses que me fiz jogar de um penhasco teórico pra então cair de cara no chão é algo que me impacta, dou risadas e me comparo com o Coitote, pra mim nunca fez sentido que fosse só um papa-léguas pra um coiote, pra mim sempre foi o coitado do bicho faminto procurando alimento em toda uma espécie.
Entre quedas de penhascos, entre cabeçadas em pedras tingidas pra fingir um túnel, entre tantos danos, lá estava o pobre coiote sobrevivendo a cada vez.
Talvez ele já tenha perdido as contas entre tantos números de machucados, tudo que fazia era simplesmente continuar.
Embora eu saiba que muita gente vê o coiote como o grande vilão da história, mas no fim é só um pobre bicho com fome, e o pássaro tentando salvar o próprio pescoço, e nessa coisa de definir vilão e herói aqui nem cabe o esforço.
