Como Aprender Mais em Menos Tempo

Uma Resenha da Série Neuroaprendizagem

Professor Pierluigi Piazzi em palestra

A insatisfação com a escola não é recente: há décadas, reclama-se do conteúdo ensinado não ter relação com o dia-a-dia, do fato de que os alunos não lembram nada depois da prova, do desinteresse geral, das avaliações e metodologias, entre outras fatores. Vendo as dificuldades de seus alunos, o professor Pierluigi Piazzi, mais conhecido como professor Pier, desenvolveu um método de estudos extremamente eficaz, que permite aprender uma grande quantidade de conteúdo com pouco tempo de estudo.

Pier foi um professor de física e química que lecionou do colégio à pós-graduação. No entanto, seu foco sempre foi o cursinho pré-vestibular, e foi lá que ele notou certas particularidades: os alunos do cursinho tinham que aprender em um ano tudo o que não aprenderam durante os anos escolares. Ora, se era preciso aprender tudo de novo, para que servia a escola? Mas ele não ficou apenas na critica rasa: percebeu que o tipo de ensino no pré-vestibular era bem diferente do ensino convencional, e tentou desenvolver um método para qualquer aluno aprender melhor.

Primeiro de tudo, é importante entender a diferença entre aula e estudo: A aula é o momento aonde entendemos o conteúdo, é passiva e pode ser em grupo; O estudo é o momento aonde retemos aquele conhecimento, sendo ativo e necessariamente individual. Não há estudo em grupo! O estudo é um momento aonde o estudante, individualmente, percorre o conteúdo novamente. Dessa diferença vem a diferença de definições: aluno é quem assiste aula, estudante é quem estuda. Infelizmente, na realidade brasileira muitos alunos não são estudantes.

Essa diferença é proveniente das diferentes regiões do cérebro. Basicamente, nosso cérebro é divido entre memória RAM e HD. Como no computador, a memória RAM armazena uma informação até o momento no qual é desligado, enquanto o HD guarda a informação eternamente. Geralmente, os alunos estudam antes da prova, armazenando o máximo de informações na memória RAM para cuspir as informações na avaliação e esquecer logo depois.

Mas como podemos gravar o conteúdo no HD e nunca mais esquecer o conteúdo? É mais simples do que se imagina: devemos revisar o conteúdo abordado durante a aula em uma sessão de estudos, individualmente e fazendo anotações à mão. Pier argumenta que a escrita ativa mais regiões do cérebro e, portanto, é mais eficiente do que digitar enquanto se estuda. Outra dica que ele dá é ouvir música instrumental ou música em um idioma que não se conhece: dessa forma, outras regiões do cérebro que não interferem na parte linguística são ativadas e mantemos nosso foco.

Dá pra ver que ele não era nem um pouco fã de ficção científica, né?

Logicamente, não devemos sobrecarregar nosso cérebro. Pier recomenda ciclos de estudo e descanso. Um tempo de 30 a 40 minutos de estudo, com 5 a 10 de descanso. Vale notar que este tempo de descanso deve se dar realizando atividades mais saudáveis: exercícios, ouvir música, ler um livro de ficção, entre outras, evitando internet e celular, que nos mantém distraídos por mais tempo do que o necessário.

Com isso, Pier garante que nunca esqueceremos um assunto que estudamos previamente, só sendo necessário revisar um mesmo conteúdo eventualmente para manter fresco na memória. Pier argumenta, por exemplo, que um advogado que passa 5 anos na faculdade deveria ser capaz de passar no exame da OAB sem a necessidade de cursinho, da mesma forma que um aluno de ensino médio deveria passar para a faculdade sem pré-vestibular. Os cursos preparatórios são sintomas da má qualidade do ensino brasileiro.

Professor Pier fez palestras por todo o país, e seus ensinamentos renderam quatro obras, que juntas formam a coleção Neuroaprendizagem: O primeiro volume, chamado “Aprendendo Inteligência”, é voltado para os alunos de colégios e faculdades que querem estudar melhor; o segundo, “Estimulando Inteligência” é voltado para os pais que zelam pelo estudo dos filhos, dando dicas de como guiar os estudos dos filhos; o terceiro, chamado “Ensinando Inteligência” aborda mais detalhadamente o caos do ensino brasileiro e é voltado para os professores; por fim, o quarto volume, chamado “Inteligência em Concursos”, é voltado para alunos que querem estudar por conta própria para concursos e vestibulares, usando cursinhos apenas como eventuais auxiliares.

Pierluigi Piazzi foi uma das poucas mentes que se levantou com força contra o caos no ensino brasileiro. Enquanto alguns fingem melhorar a educação com idealizações, multidisciplinaridades forçadas, politização em sala de aula e eventos culturais extremamente fracos, este professor veio com uma mensagem simples e poderosa: “Lição dada é lição estudada…hoje!”